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Ombro congelado estaria ligado à menopausa, indicam estudos

Queda de estrogênio durante a menopausa pode favorecer capsulite adesiva, causando dor intensa e limitação de movimentos no ombro

Estudos indicam relação entre o diagnóstico e alterações hormonais
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  • Estudos indicam relação entre menopausa e capsulite adesiva, com queda de estrogênio como possível mecanismo.
  • A condição causa dor intensa e perda progressive da mobilidade do ombro, afetando entre 2% e 5% da população, com maior frequência entre 40 e 60 anos.
  • A queda de estrogênio na menopausa pode favorecer inflamação, espessamento da cápsula e redução do líquido sinovial, contribuindo para o quadro.
  • Além da menopausa, fatores como diabetes, hipotireoidismo, estresse e baixo índice de massa corporal são citados como possíveis riscos.
  • O tratamento costuma envolver fisioterapia, analgésicos e anti-inflamatórios, com bloqueios anestésicos; cirurgias são raras; o processo costuma passar por três fases: dor, congelamento e descongelamento.

O ombro congelado pode estar associado à menopausa, segundo pesquisas recentes. Mulheres em transição hormonal apresentam maior frequência de rigidez e dor na região, levando cientistas a investigar a ligação entre alterações estrogênicas e a capsulite adesiva.

A experiente viajante Camila Gil, de 43 anos, descreveu início gradual da dor que piorou com o tempo, dificultando atividades simples como vestir, pentear o cabelo e dirigir. O diagnóstico foi capsulite adesiva, uma inflamação que endurece a cápsula da articulação do ombro, limitando os movimentos.

O ortopedista Sandro da Silva Reginaldo, do Einstein Hospital Israelita, explica que a cápsula retraída reduz a mobilidade e causa dor intensa. A condição atinge entre 2% e 5% da população, com maior incidência em mulheres entre 40 e 60 anos, faixa típica da menopausa.

Estrogenio e menopausa

Estudos indicam uma conexão biológica plausível entre menopausa e capsulite, com o estrogênio como principal suspeito. A queda de hormônio pode elevar inflamação, estimular fibroblastos e engrossar a cápsula do ombro, além de reduzir o líquido sinovial que lubrifica a articulação.

Uma revisão de 2025 aponta que falhas na sinalização do estrogênio podem deixar mulheres na peri e pós-menopausa mais vulneráveis à doença. Em contrapartida, uma pesquisa com 2 mil participantes mostrou que a terapia de reposição hormonal pode reduzir o risco de ombro congelado, associada a menor incidência quando não usada.

Ainda assim, especialistas evitam concluir uma relação direta. O consenso é de que alterações hormonais podem influenciar a fisiopatologia, mas não há comprovação definitiva de causalidade.

Outros fatores de risco

A capsulite adesiva pode ocorrer após imobilização por cirurgia ou fraturas, mas a origem primária não é totalmente conhecida. Além de hormônios, diabetes, distúrbios da tireoide e estresse aparecem como potenciais fatores.

Uma metanálise de 2016 associou diabetes a maior probabilidade de desenvolver a condição, estimando alta prevalência entre pacientes com a doença. Outro estudo realizado no Brasil encontrou maior prevalência de hipotireoidismo no grupo com capsulite. Pesquisas recentes também apontam relação com IMC baixo e colesterol elevado, sugerindo que o ombro congelado pode integrar um quadro sistêmico.

Fases e tratamento

A evolução ocorre em três fases: dor intensa, congelamento com perda de mobilidade e descongelamento gradual. A progressão varia conforme o paciente, podendo durar meses ou anos.

O tratamento costuma envolver fisioterapia, analgésicos e anti-inflamatórios, além de bloqueios anestésicos. A fisioterapia é fundamental na fase de descongelamento para recuperar o movimento; evitar forçar o ombro durante a fase dolorosa é recomendado.

A cirurgia é rara e reservada para casos que não respondem ao tratamento clínico. Camila chegou a realizar fisioterapia por um ano em cada ombro e hoje apresenta grande melhora da mobilidade. Ela ressalta que a experiência despertou maior atenção à menopausa e aos seus impactos.

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