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Cientistas usam preservativos em colônias de cigarras na Amazônia para estudo

Cientistas comprovam que torres de ninfas da cigarra amazônica regulam ventilação interna; preservativos vedando estruturas ajudam a entender impacto no crescimento e defesa

Pesquisadores cobriram 40 estruturas de barro construídas por cigarras na Amazônia — Foto: Instituto Serrapilheira / Izadora Gonzalez, cortesia de Marina Méga
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  • Pesquisadores estudaram torres de barro erguidas por ninfas da cigarra amazônica Guyalna chlorogena, com altura chegando a quase cinquenta centímetros.
  • Em experimento publicado na Biotropica, 40 torres foram cobertas com preservativos de látex e bases vedadas com filme plástico para bloquear a ventilação entre interior e ambiente externo.
  • Depois de cerca de dezoito horas, ninfas em torres maiores mostraram maior crescimento, enquanto aquelas em torres menores reduziram a reconstrução das estruturas.
  • Em teste de defesa contra predadores, iscas no chão atraíram cerca de oito vezes mais formigas do que as colocadas no topo das torres, sugerindo que a elevação reduz riscos durante a emergâo do solo.
  • A pesquisa indica que as torres ajudam a regular as condições internas durante a fase subterrânea, destacando a criatividade necessária em estudos de campo na Amazônia.

Na Amazônia, pesquisadores revelaram a função de estruturas de barro erguidas por ninfas de cigarra, próximas às raízes das árvores. O estudo foi publicado em 23 de fevereiro na revista Biotropica. A descoberta envolve a cigarra-arquiteta, Guyalna chlorogena, cuja fase de ninfa constrói as torres antes da metamorfose.

A pesquisa é realizada por o Instituto Serrapilheira e equipes brasileiras. O trabalho investiga como as torres podem ajudar a cigarra a enfrentar a transição da vida subterrânea para a vida na superfície. O experimento ocorre em ambiente de floresta tropical, com observação de comportamento das ninfas.

Metodologia e principais descobertas

40 torres foram cobertas com preservativos de látex e as bases vedadas com filme plástico para interromper a troca de gases com o ambiente externo. O objetivo foi testar se as estruturas atuam como sistema de ventilação natural para as ninfas.

Após cerca de 18 horas, as torres foram rompidas para avaliar a capacidade de reconstrução das ninfas durante a noite. Observou-se que ninfas em torres maiores aceleraram o crescimento, enquanto as em torres menores reduziram a reconstrução.

Defesa contra predadores e desdobramentos

Iscas de água, farinha e sardinha foram colocadas no topo das torres e no solo para medir a presença de formigas, principal ameaça às ninfas. As iscas no chão atraíram aproximadamente oito vezes mais formigas do que as colocadas sobre as torres, sugerindo que a elevação reduz o risco de ataques durante a emergência.

A equipe também avaliou se as torres proporcionam proteção durante a saída do exoesqueleto e a transição para cigarra adulta. A combinação de resultados sustenta a hipótese de que as construções ajudam a regular condições internas e reduzem vulnerabilidade durante a fase de metamorfose.

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