- Se mantido o atual ritmo de degradação, até o fim do século de 2100 até 16% das espécies de plantas com flores podem estar extintas.
- O Royal Botanic Gardens coordenou o maior mapeamento de angiospermas, reunindo mais de 335 mil espécies e identificando 9.945 espécies prioritárias do grupo Edge (evolutivamente distinta e globalmente ameaçada).
- A pesquisa aponta que até 21,2% da diversidade evolutiva dessas plantas pode se perder, e proteger esse conjunto pode evitar grande parte dessa perda.
- Os maiores focos de ameaça ficam em regiões tropicais, com Madagascar liderando o ranking, seguido por Bornéu e Equador; áreas coincidem com hotspots de biodiversidade.
- No Brasil, há preocupação com biomas como Cerrado, Amazônia e Caatinga; recomenda-se fortalecer unidades de conservação e ações orientadas por dados para proteger espécies únicas e reduzir riscos.
O uso de modelos científicos indica que até o fim do século as mudanças climáticas podem colocar 16% das espécies de plantas com flores em risco de extinção. Estudo publicado na Science analisa como a degradação do habitat impacta 80% da biomassa global formada por vegetais.
Pesquisadores do Royal Botanic Gardens, em Kew, mapearam a maior árvore da vida das angiospermas, reunindo mais de 335 mil espécies. O objetivo foi identificar quais ramos evolutivos são mais únicos e, ao mesmo tempo, mais ameaçados.
A equipe cruzou dados genéticos, distribuição geográfica e risco de extinção para entender quais plantas mantêm grande parte da história evolutiva. Os resultados reforçam a necessidade de conservação mais ampla.
Principais números
A análise aponta que 21,2% da diversidade evolutiva das angiospermas pode ser perdida sob a pressão climática. A metodologia Edge prioriza espécies únicas e com alto risco de extinção, levando a 9.945 plantas com flores consideradas prioritárias.
Segundo os autores, proteger esse conjunto pequeno evita uma parcela desproporcional da perda evolutiva global. Aliderada pela bióloga Matilda Brown, a pesquisa enfatiza valor estratégico dessas espécies para ciência e sociedade.
O estudo indica que os mapas de risco apontam maior concentração de espécies Edge em regiões tropicais. Madagascar lidera, com cerca de 950 espécies, seguido por Bornéu e Equador, áreas associadas a hotspots de biodiversidade.
Além disso, o texto ressalta preocupação com o Brasil, que abriga alta diversidade e muitas espécies ainda não descritas. Pesquisadores destacam a necessidade de proteção de áreas com alta diversidade e pressão de desmatamento.
Implicações regionais e projeções
Especialista brasileiro cita Cerrado, Amazônia e Caatinga como áreas com risco elevado e endemismo significativo. A prioridade é ampliar unidades de conservação e investir em coleções biológicas para monitoramento.
Em outra ponta, modelagem da Universidade da Califórnia aponta entre 7% e 16% de espécies com perda superior a 90% de área de ocorrência, dependendo de cenários climáticos. A principal ameaça seria a perda de habitat.
Autores afirmam que reduzir emissões é crucial para frear a extinção, ao contrário de medidas que apenas acompanham o ritmo de mudanças. O estudo aponta que cortes nas emissões são determinantes para reduzir o risco.
Contexto técnico
Os artigos destacam que plantas com flores sustentam ecossistemas, cadeias alimentares e ciclos hidrológicos. O trabalho usa o conceito Edge para identificar espécies prioritárias que preservariam grande parte da história evolutiva.
Para transformar a lista de quase 10 mil espécies em ações, pesquisadores sugerem cruzar ocorrências com dados geográficos, priorizando áreas com maior concentração de espécies evolutivamente distintas.
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