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Estudo aponta causas das cheias no Rio Grande do Sul

Estudo do World Resources Institute Brasil aponta causas raiz das cheias de 2024 no Rio Grande do Sul e recomenda governança integrada para reduzir vulnerabilidade

Arroio São Lourenço, no município de São Lourenço do Sul, saiu do seu leito normal, afetando residências nas enchentes do RS em 2024 — Foto: Jorge Schneid/Divulgação Defesa Civil do Rio Grande do Sul
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  • Estudo divulgado nesta quinta-feira (7) aponta as causas da maior tragédia climática no Rio Grande do Sul em 2024, que afetou 478 municípios, mais de 2,4 milhões de pessoas e deixou 185 mortos, com 23 desaparecidos até hoje.
  • Após dois anos do desastre, pesquisadores mapearam eventos gatilho, condições inseguras, causas raiz e pressões dinâmicas, propondo caminhos para reduzir exposição e vulnerabilidade.
  • O documento é do World Resources Institute Brasil, com participação de pesquisadores de universidades gaúchas, e visa discutir políticas para prevenir desastres futuros e promover desenvolvimento resiliente.
  • As causas raiz foram agrupadas em quatro categorias — Desenvolvimento urbano e rural, Condições físicas e ambientais, Condições socioeconômicas e Governança — totalizando onze causas e vinte pressões dinâmicas que ampliam o risco.
  • O estudo destaca a necessidade de articulação multirregional, fortalecimento da governança e planejamento integrado, priorizando a cultura de prevenção e grupos vulneráveis para tornar as cidades mais resilientes.

Foi divulgado nesta quinta-feira 7 um estudo que aponta as causas da maior tragédia climática do Rio Grande do Sul em 2024. A pesquisa analisa eventos gatilho, condições inseguras, causas raízes e pressões dinâmicas que contribuíram para as enchentes que atingiram 478 municípios. Atingiram mais de 2,4 milhões de pessoas e deixaram 185 mortos, com 23 desaparecidos até o momento. O estudo traz caminhos para reduzir exposição e vulnerabilidade nas cidades.

Realizado pelo World Resources Institute Brasil em parceria com pesquisas de universidades gaúchas, o trabalho atualiza o diagnóstico da cadeia de produção de risco. O objetivo é entender fragilidades, discutir decisões e políticas que previnam desastres futuros e promovam desenvolvimento resiliente.

Para as pesquisadoras, o desastre resultou de um gatilho extremo associado a um histórico acúmulo de riscos. A coordenadora do WRI Brasil ressalta que o estudo dimensiona o papel de fatores sociais, econômicos e de governança que amplificaram os impactos das chuvas intensas.

Causas raiz e pressões dinâmicas

As causas raiz foram classificadas em quatro grandes categorias, que se relacionam a 20 pressões dinâmicas, gerando condições inseguras. Essas dinâmicas elevam o risco e a vulnerabilidade das comunidades.

  • Desenvolvimento urbano e rural: modelo de ocupação territorial pouco resiliente.
  • Condições físicas e ambientais: variabilidade climática e características geográficas que favorecem enchentes.
  • Condições socioeconômicas: negacionismo climático, desigualdade e falta de cultura de prevenção.
  • Governança: modelo de desenvolvimento voltado para a economia, arcabouço legal insuficiente, falta de prioridade socioambiental, fragilidade de governança entre níveis e dupla atuação público-privada.

Essas causas se conectam com pressões como expansão urbana desordenada, especulação imobiliária e desigualdades. O estudo evidencia que decisões humanas e institucionais moldam o risco social ao longo do tempo.

Caminhos para a resiliência

Os autores defendem articulação multirregional além de ações municipais isoladas. É necessário fortalecer governança em diferentes esferas, integrar planejamento, consolidar cultura de prevenção e priorizar grupos vulneráveis. O relatório aponta que resistência não depende apenas de infraestrutura, mas de escolhas de desenvolvimento.

A pesquisadora Lara Caccia destaca que, se o risco é histórico, a resiliência também pode ser construída por meio de novas políticas. O documento reforça a importância de mudanças estruturais para enfrentar futuros eventos climáticos.

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