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Merlin Van Lawick, neto de Jane Goodall, fala sobre ação e esperança

Merlin Van Lawick, neto de Jane Goodall, diz que a esperança nasce da ação diante de cortes de financiamento e da continuidade da missão

Jane Goodall conducting research in Gombe Stream National Park, Tanzania. Image © the Jane Goodall Institute.
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  • Merlin Van Lawick, neto de Jane Goodall, participou do ChangeNOW 2026 em Paris e trabalha no Jane Goodall Institute, atuando em ciência da conservação, comunicação e no programa Roots & Shoots.
  • Ele compartilha que aprendeu com a avó a importância de agir para manter a esperança, resumida na ideia de que “esperança está na ação”.
  • Comenta que cortes de financiamento da USAID criaram uma lacuna de setenta milhões de reais para os próximos cinco anos, levando à demissão de mais de 60 funcionários e a buscas por novas fontes de recursos.
  • Reforça a continuidade da missão mesmo sem Jane Goodall, destacando a atuação da rede institucional na Tanzânia, com cerca de quatro mil clubes Roots & Shoots no país.
  • Aponta estratégias para o futuro, incluindo uso de tecnologia na conservação, como IA para pesquisar dados de décadas de pesquisa, e diversificação de doadores, buscando financiadores menores e empresas alinhadas aos objetivos da organização.

Merlin Van Lawick, neto de Jane Goodall, foi apresentado ao público no ChangeNOW 2026, em Paris, cinco meses após o falecimento da avó. A ida marcou a primeira viagem dele à cidade, onde atua junto à Jane Goodall Institute (JGI), organização fundada pela avó.

O jovem trabalha hoje no time de ciência da conservação e comunicação da JGI. Nascido e criado em Dar es Salaam, Tanzânia, ele já estagia no campo e na comunidade, antes de ingressar em um MBA no Reino Unido. A experiência prática moldou seu entendimento sobre os desafios da conservação.

Antes de começar o MBA, Van Lawick passou longos períodos em campo na Tanzânia, conectando-se com comunidades e observando a complexidade do trabalho de conservação. Na entrevista, ele ressaltou que a motivação vem dos ensinamentos da avó e do desejo de ampliar o impacto da instituição.

Para ele, a lição central da avó é a ideia de que a esperança se sustenta na ação. Ele descreveu a metáfora de um túnel com luz no fim, destacando que é preciso avançar para alcançar a mudança, enfrentando obstáculos e agindo diariamente.

Sobre o momento atual, o entrevistado detalhou sentimentos da família após a perda e destacou que o compromisso com a missão continua. Mesmo diante da ausência de Jane, ele afirmou que a instituição não pode parar e que pretende contribuir com sua parte.

Na prática, Van Lawick atua em ciência da conservação, comunicação e no Roots & Shoots, programa juvenil da JGI. Ele explicou que a ciência desenvolve ferramentas como monitoramento de florestas por satélite e uso de tecnologia móvel para engajar comunidades, com dados que ajudam decisões governamentais locais.

A gestão de recursos é um ponto crítico. Em 2023-2024, a JGI enfrentou cortes de financiamento dos EUA, abrindo um déficit de US$ 30 milhões para cinco anos. A instituição precisou reduzir quadro de funcionários e buscar apoio de embaixadas e outras organizações, para manter presence no terreno.

Diante do cenário, a equipe busca diversificar doadores, incluindo fundações menores e parcerias com o setor privado, sempre avaliando o alinhamento com seus princípios ambientais. A estratégia visa fortalecer a operação local sem depender de grandes doadores únicos.

Questionado sobre o futuro, Merlin reiterou a importância da ação contínua para transformar esperança em resultados palpáveis. Ele enfatizou que o legado da avó inspira a manter o foco em proteger pessoas, animais e habitats, com participação comunitária.

Em suas palavras, o foco é manter a missão da JGI mesmo sem a figura de Jane Goodall, assegurando que as ações efetivas para a conservação continuem a crescer, em parceria com jovens, comunidades e governos locais.

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