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Ombro congelado pode estar ligado à menopausa, indicam estudos

Estudos sugerem ligação entre menopausa e capsulite adesiva, com queda de estrogênio contribuindo para dor e restrição do movimento

Por que mulheres que atravessam a menopausa têm dores no ombro? Estudo analisou — Foto: Annie Spratt/Unsplash
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  • A ideia de que a menopausa pode estar ligada ao ombro congelado vem ganhando atenção, com evidências que apontam queda de estrogênio como possível fator contribuinte para inflamação, fibrose e redução do líquido sinovial.
  • A capsulite adesiva causa dor intensa e perda gradual de mobilidade; estima-se que atinja entre dois e cinco por cento da população, com maior frequência em mulheres entre quarenta e sessenta anos.
  • Uma revisão de 2025 sugeriu que falhas na sinalização do estrogênio podem deixar mulheres na peri e pós-menopausa mais vulneráveis; estudo com dois mil participantes indicou que reposição hormonal pode reduzir o risco, enquanto não usar o tratamento se associa a maior possibilidade da doença.
  • Outros fatores de risco associados incluem diabetes, hipotireoidismo, baixo índice de massa corporal e colesterol alto; há pesquisas que consideram a condição como parte de um quadro sistêmico envolvendo metabolismo e inflamação.
  • O tratamento normalmente envolve fisioterapia, analgésicos, anti-inflamatórios e, em alguns casos, bloqueios anestésicos; cirurgia é rara; o curso completo pode durar meses ou até dois a três anos, com fases distintas de dor, congelamento e descongelamento.

O ombro congelado, ou capsulite adesiva, tem ganhado atenção em mulheres na transição menopausal, sinalizando possível relação com a queda de estrogênio. O caso de Camila Gil, turismóloga de 43 anos, ilustra a evolução: dor inicial discreta evoluiu para movimentos limitados e tarefas simples que ficaram dolorosas.

Após meses de avaliação, o diagnóstico foi confirmado por especialistas em ombro. A condição envolve o espessamento e retração da cápsula articular, restringindo progressivamente a mobilidade do ombro. A dor intensa costuma acompanhar a perda de movimento.

A prevalência estimada é de 2% a 5% da população, com maior incidência em mulheres entre 40 e 60 anos, faixa típica da menopausa. Pesquisas recentes apontam investigação sobre o papel das mudanças hormonais nesse contexto, sem confirmação de causalidade até o momento.

Estrogênio e menopausa

Estudos indicam uma ligação biológica plausível entre menopausa e capsulite adesiva. A queda de estrogênio pode favorecer inflamação, ativação de fibroblastos e espessamento da cápsula, além de reduzir o líquido sinovial que lubrifica as articulações. A relação ainda requer comprovação definitiva.

Revisões recentes destacam que falhas na sinalização do estrogênio podem aumentar vulnerabilidade na peri e pós-menopausa. Em paralelo, pesquisas com 2 mil participantes sugerem que a terapia de reposição hormonal pode reduzir o risco, enquanto a não utilização estaria associada a risco maior.

Outros fatores de risco

A imobilização prolongada por cirurgia ou fratura é um fator conhecido de Capsulite adesiva. No entanto, a doença primária possui causas ainda não totalmente elucidadas. Além de hormônios, diabetes, distúrbios da tireoide e estresse aparecem como possíveis contribuintes.

Metanálise de 2016 associou diabetes a um risco cinco vezes maior de desenvolver a condição, com cerca de 30% dos pacientes acometidos por diabetes. Outros estudos apontam maior prevalência de hipotireoidismo e relacionam baixo IMC e colesterol alto como potenciais fatores de risco.

Quadro clínico e fases da doença

A evolução típica ocorre em três fases: dor acentuada no início; congelamento com perda progressiva de mobilidade; e descongelamento gradual. A duração varia de meses a até dois a três anos, dependendo do paciente. Camila relatou dor constante na fase inicial e recuperação parcial com o tempo.

A progressão é frequentemente autolimitada. A dor intensa pode diminuir conforme o ombro permanece rígido, e a mobilidade retorna aos poucos com tratamento adequado. O diagnóstico precoce favorece manejo mais eficaz.

Como tratar (e aliviar a dor)

O manejo costuma incluir fisioterapia, analgésicos, anti-inflamatórios e, em alguns casos, bloqueios anestésicos. A fisioterapia é crucial para restaurar o movimento, especialmente após a fase de dor intensa. Em situações raras, a cirurgia é considerada quando não há resposta ao tratamento clínico.

Camila passou por fisioterapia anual em cada ombro, observando melhora gradual da mobilidade e redução da dor. Hoje, relata recuperação próximo da plena atividade e vem acompanhando a transição hormonal com maior atenção aos impactos na saúde.

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