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Quão preocupados devemos ficar com o surto de hantavírus?

Surto de hantavírus a bordo do MV Hondius já resultou em mortes; autoridades classificam risco público como baixo, mas vigilância permanece

A general view of the cruise ship MV Hondius, while stationary off the port of Praia, the capital of Cape Verde, on May 6, 2026. Two seriously ill crew members on a cruise ship stricken by a deadly hantavirus outbreak will be evacuated via Cape Verde to the Netherlands, allowing the vessel to sail on to Spain's Canary Islands, the ship operator said on May 5, 2026. The MV Hondius has been at the centre of an international health scare since Saturday, when WHO was informed that the rare disease -- usually spread from infected rodents typically through urine, droppings and saliva -- was suspected of being behind the deaths of three of its passengers. As others fell ill, passengers and crew have been in isolation after Cape Verde authorities barred the ship from docking, and as health authorities scrambled to find a port that would take the Hondius.
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  • O surto de hantavírus a bordo do MV Hondius, que partiu de Ushuaia em 1º de abril, já deixou cinco pessoas doentes e três mortas.
  • Duzentos e oito passageiros deixaram o navio em Saint Helena, seguindo para doze países diferentes, incluindo Canadá, Reino Unido e Estados Unidos.
  • Um passageiro masculino desenvolveu pneumonia e foi evacuado para a África do Sul, onde o teste confirmou hantavírus em 2 de maio; outro viajante morreu por pneumonia no mesmo dia.
  • A OMS aponta que pode haver mais casos relacionados ao cruzeiro, mas considera o risco à saúde pública como baixo; a quarentena pode durar até oito semanas desde a transmissão ativa.
  • Não há tratamento específico para hantavírus; autoridades monitoram passageiros que retornaram aos Estados Unidos, com o país ainda sem acesso a dados de vigilância da Organização Mundial da Saúde.

O MV Hondius, navio de expedição polar registrado na Holanda, deixou Ushuaia em 1º de abril com 114 convidados e a tripulação, em uma viagem de várias semanas pela Antártida e o Atlântico Sul. Seis dias após a partida, um passageiro de 70 anos apresentou febre, dor de cabeça e diarreia e ficou gravemente doente. Ele faleceu em 11 de abril.

A tripulação informou que, até 24 de abril, o corpo do falecido foi removido ao aportar em Saint Helena, território britânico ultramarino. A esposa dele também desembarcou com sintomas gastrointestinais e morreu dois dias depois. Além disso, 28 passageiros deixaram o navio em Saint Helena e retornaram a 12 países.

No total, cinco casos de hantavírus foram confirmados entre os passageiros a bordo, com três mortes até o momento. Um segundo passageiro apresentou pneumonia na viagem e foi evacuado para a África do Sul, onde permanece internado em terapia intensiva; a confirmação de hantavírus ocorreu em 2 de maio. Outro óbito cuja causa foi pneumonia também foi registrado em 2 de maio.

Situação atual

Em 4 de maio, passageiros que desembarcaram em Saint Helena receberam comunicação informando exposição ao hantavírus. No entanto, muitos já haviam retornado a seus países de origem. A tripulação informou que uma área isolada está sendo preparada para tratamentos e isolamento conforme necessário.

O navio segue encaminhado a destino fixo, com informações oficiais variando sobre duração de eventual quarentena. A Organização Mundial da Saúde estima que, para o risco público, a situação permanece sob controle, ainda que haja possibilidade de mais casos identificados conforme a vigilância avança.

O que é hantavírus e como pode afetar

O hantavírus costuma ser transmitido por roedores; a cepa encontrada no caso da viagem, segundo a OMS, é a Andes, a única capaz de transmissão de pessoa a pessoa. Os sintomas iniciais são semelhantes a gripe, evoluindo para problemas respiratórios graves, com risco de falência de órgãos.

A OMS aponta que a morte normalmente ocorre por falência respiratória. A previsão de tempo entre infecção e sintomas pode variar de uma a oito semanas, o que complica a identificação precoce. Em média, a transmissão entre pessoas é menos eficiente do que em surtos de outras doenças.

Perspectivas e monitoramento

Nos Estados Unidos, autoridades acompanham passageiros que voltaram da viagem em 24 de abril. Até o momento não há sinais de hantavírus entre eles. A retirada dos EUA da OMS reduz o acesso a informações de vigilância globais, segundo especialistas, o que pode retardar ações de resposta coordenadas.

Especialistas ressaltam que não há tratamento específico para hantavírus; o manejo é de suporte. Pesquisas sobre antivirais passaram por avanços limitados, e a prioridade é o cuidado clínico aos doentes e a contenção de novos casos.

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