- O surto de hantavírus a bordo do MV Hondius, que partiu de Ushuaia em 1º de abril, já deixou cinco pessoas doentes e três mortas.
- Duzentos e oito passageiros deixaram o navio em Saint Helena, seguindo para doze países diferentes, incluindo Canadá, Reino Unido e Estados Unidos.
- Um passageiro masculino desenvolveu pneumonia e foi evacuado para a África do Sul, onde o teste confirmou hantavírus em 2 de maio; outro viajante morreu por pneumonia no mesmo dia.
- A OMS aponta que pode haver mais casos relacionados ao cruzeiro, mas considera o risco à saúde pública como baixo; a quarentena pode durar até oito semanas desde a transmissão ativa.
- Não há tratamento específico para hantavírus; autoridades monitoram passageiros que retornaram aos Estados Unidos, com o país ainda sem acesso a dados de vigilância da Organização Mundial da Saúde.
O MV Hondius, navio de expedição polar registrado na Holanda, deixou Ushuaia em 1º de abril com 114 convidados e a tripulação, em uma viagem de várias semanas pela Antártida e o Atlântico Sul. Seis dias após a partida, um passageiro de 70 anos apresentou febre, dor de cabeça e diarreia e ficou gravemente doente. Ele faleceu em 11 de abril.
A tripulação informou que, até 24 de abril, o corpo do falecido foi removido ao aportar em Saint Helena, território britânico ultramarino. A esposa dele também desembarcou com sintomas gastrointestinais e morreu dois dias depois. Além disso, 28 passageiros deixaram o navio em Saint Helena e retornaram a 12 países.
No total, cinco casos de hantavírus foram confirmados entre os passageiros a bordo, com três mortes até o momento. Um segundo passageiro apresentou pneumonia na viagem e foi evacuado para a África do Sul, onde permanece internado em terapia intensiva; a confirmação de hantavírus ocorreu em 2 de maio. Outro óbito cuja causa foi pneumonia também foi registrado em 2 de maio.
Situação atual
Em 4 de maio, passageiros que desembarcaram em Saint Helena receberam comunicação informando exposição ao hantavírus. No entanto, muitos já haviam retornado a seus países de origem. A tripulação informou que uma área isolada está sendo preparada para tratamentos e isolamento conforme necessário.
O navio segue encaminhado a destino fixo, com informações oficiais variando sobre duração de eventual quarentena. A Organização Mundial da Saúde estima que, para o risco público, a situação permanece sob controle, ainda que haja possibilidade de mais casos identificados conforme a vigilância avança.
O que é hantavírus e como pode afetar
O hantavírus costuma ser transmitido por roedores; a cepa encontrada no caso da viagem, segundo a OMS, é a Andes, a única capaz de transmissão de pessoa a pessoa. Os sintomas iniciais são semelhantes a gripe, evoluindo para problemas respiratórios graves, com risco de falência de órgãos.
A OMS aponta que a morte normalmente ocorre por falência respiratória. A previsão de tempo entre infecção e sintomas pode variar de uma a oito semanas, o que complica a identificação precoce. Em média, a transmissão entre pessoas é menos eficiente do que em surtos de outras doenças.
Perspectivas e monitoramento
Nos Estados Unidos, autoridades acompanham passageiros que voltaram da viagem em 24 de abril. Até o momento não há sinais de hantavírus entre eles. A retirada dos EUA da OMS reduz o acesso a informações de vigilância globais, segundo especialistas, o que pode retardar ações de resposta coordenadas.
Especialistas ressaltam que não há tratamento específico para hantavírus; o manejo é de suporte. Pesquisas sobre antivirais passaram por avanços limitados, e a prioridade é o cuidado clínico aos doentes e a contenção de novos casos.
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