- Estudo realizado na Universidade de Pequim com 25 voluntários utilizou óculos de realidade virtual para observar como o cérebro reage a asas artificiais durante o voo.
- Os participantes passaram por uma semana de treinamento, vinculando os movimentos dos braços às asas virtuais e podendo ver-se em espelho virtual como aves com grandes asas.
- Aprender a voar na RV variou entre os participantes: alguns chegaram à habilidade na primeira tentativa, enquanto outros precisaram de três a quatro sessões.
- Pesquisas apontam alterações no córtex visual, com áreas que normalmente respondem a partes do corpo passando a reagir a imagens das asas.
- Descoberta sugere que a plasticidade cerebral pode ser mais ampla do que se pensava, com as asas virtuais passando a ser percebidas como parte do corpo e abrindo caminhos para outras tecnologias e sentidos artificiais.
O estudo, publicado na revista Cell Reports, avaliou 25 voluntários que usaram realidade virtual para experimentar asas. O objetivo foi entender como os cérebros respondem a esse novo corpo adicional, simulando voo de forma fiel.
Pesquisadores da Universidade de Pequim conduziram o experimento com óculos de RV e rastreamento de movimento. O grupo buscou observar como o cérebro percebe cada movimento dos membros superiores durante o treino.
O treinamento durou uma semana e mostrou semelhança entre as asas virtuais e membros reais. Ao observar o espelho virtual, os participantes viam-se como aves com grandes asas, com reflexos diretos de cada movimento dos braços.
Ao longo das tarefas — desviar de bolas de ar, pairar sobre penhascos e voar por anéis —, alguns aprenderam na primeira tentativa, enquanto outros precisaram de três a quatro sessões, segundo a pesquisadora Ziyi Xiong.
Dados de neuroimagem indicaram mudanças no córtex visual. Partes do córtex que normalmente respondem a partes do corpo passaram a reagir com maior intensidade a imagens das asas virtuais.
O achado principal aponta que o órgão reconheceu as asas como partes naturais do corpo, elevando a ideia de plasticidade cerebral. As asas, não naturais aos humanos, foram rapidamente integradas à coordenação motora.
Essa reconfiguração sugere que o cérebro pode se reorganizar de forma mais ampla diante de aprendizagens inusitadas. Os autores destacam potencial de explorar outras tecnologias sensoriais para ampliar a experiência humana.
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