- A maioria dos animais tem ciclos de sono que variam de alguns minutos a mais de vinte horas por dia, com resposta sensorial e movimento bastante reduzidos nesses momentos.
- Dizer que um animal “nunca dorme” é complicado, pois o sono difere entre espécies e, em muitos casos, não há fase REM.
- Cetáceos como golfinho nariz-de-garrafa e orcas dormem com um hemisfério do cérebro por vez e podem ficar dias ativos sem sinais de privação de sono.
- Cetáceos como golfinho de Commerson e toninha-comum apresentam atividade motora contínua, do nascimento à morte, o que dificulta afirmar que não dormem.
- Há espécies com padrões atípicos ou pouco conhecidos, como rã-touro, troglóbios, pardal-de-coroa-branca e zebrafish; tubarões não dormem é mito, e águas-vivas dormem cerca de um terço do dia.
A pergunta sobre sono em animais ganhou nova abordagem em revisões científicas recentes, mostrando que quase toda espécie tem momentos de descanso, mas nem sempre é sono humano. Entre variações de minutos a mais de 20 horas diárias, a sensibilidade e o movimento costumam reduzir.
Definições de sono variam entre espécies, o que complica dizer que alguém “não dorme”. Em alguns casos não há fase REM, em outros o cérebro permanece parcialmente ativo para manter vigilância.
Ainda assim, há padrões curiosos. A seguir, casos bem estudados que ajudam a entender a diversidade de descanso no reino animal.
Casos notáveis
Rã-touro: desde os anos 1960 há relatos de que não dorme, pois continua vigilante contra predadores mesmo em repouso. A conclusão vem de observações de alta atividade sensorial nesses momentos.
Troglóbios: organismos cavernícolas, cegos e adaptados à escuridão. Estudos sugerem que alguns não mostram sono tradicional, possivelmente por não processarem informação visual.
Cetáceos: golfinhos nariz-de-garrafa e orcas dormem com meia-área do cérebro ligada, mantendo parte do corpo em atividade. Mães e filhotes permanecem ativos por semanas após o nascimento sem prejuízo.
Cetáceos específicos: golfinho de Commerson e toninha-comum exibem atividade motora contínua desde o nascimento, o que dificulta enquadrar como sono, mas aponta para padrões atípicos.
Pardal-de-coroa-branca: o sono reduzido em até dois terços durante migrações não afeta o desempenho cognitivo em situações avaliadas, mesmo em cativeiro.
Outros exemplos
Drosófila: mosca-fruta apresenta comportamento análogo ao sono, mas ainda sem consenso sobre a equivalência com o sono humano. O peixe-zebra também mostra repouso que pode ser interrompido pela luz.
Tubarões: mito de que não dormem persiste, mas não é verdade. Muitos precisam de movimento para oxigenação, porém entram em estados de relaxamento com redução de percepção.
Águas-vivas: mito também, já que pesquisas indicam sono presente. Elas dormem por cerca de um terço do dia e compensam o sono interrompido posteriormente.
Observações finais
A diversidade de padrões de sono desafia a ideia de sono único entre animais. Estudos continuam para entender como cada espécie adapta descanso às necessidades de sobrevivência e ao ambiente.
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