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Segunda gravidez transforma o cérebro da mãe, aponta estudo

Segundo estudo, segunda gravidez reforça redes de atenção e multitarefa, com leve aumento de volume cerebral, preparando a mãe para cuidar de dois filhos

Ser mãe pela segunda vez não é simplesmente repetir a experiência — e a ciência agora explica por quê
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  • Estudo da Universidade de Amsterdã, publicado na Nature Communications, comparou gestação e pós-parto de mães de um e de dois filhos por meio de ressonâncias magnéticas.
  • Na segunda gravidez, fortalecem-se redes neurais ligadas à atenção e à capacidade de gerenciar várias tarefas, diferente da primeira, mais ligada a emoção e vínculo com o bebê.
  • Os resultados indicam que o tecido cerebral fica, de modo sutil, mais denso em mães de dois filhos.
  • As mudanças são associadas a uma maior preparação da mãe para cuidar de mais de uma criança e lidar com demandas simultâneas.
  • Em saúde mental, a pesquisa aponta que, na segunda gestação, os sintomas de depressão podem surgir ainda durante a gravidez, e alerta para o “silenciamento emocional” de mães nessa fase.

A segunda gestação altera o cérebro da mulher de modo diferente da primeira, segundo um estudo publicado na Nature Communications e conduzido pela Universidade de Amsterdã. Pacientes foram acompanhadas com ressonâncias magnéticas durante a gestação e após o parto, comparando mães de um filho com mães de dois. Os resultados indicam mudança neural específica para o cenário de segunda gravidez.

Na primeira gestação, o cérebro foca em circuitos de emoção e vínculo com o bebê. Já na segunda, as redes ligadas à atenção e à gestão de múltiplas tarefas ganham destaque. Em resumo, mães de segunda viagem parecem mais preparadas para lidar com a demanda de cuidar de mais de uma criança.

Entre as evidências, o estudo aponta incremento discreto no volume de tecido cerebral em mães de dois filhos. A leitura é de que a primeira gravidez inaugura o modo mãe; a segunda aperfeiçoa o sistema para contextos com maior exigência, segundo o neurologista Geovane Porto Viana.

Na prática, relatos de quem vivenciou as duas fases reforçam o cenário. Uma advogada de 42 anos descreve maior confiança na segunda gestação, mantendo atividades até dias antes do parto, mesmo morando no exterior. A experiência anterior funciona como facilitador emocional e prático.

Dados demográficos ajudam a contextualizar. O IBGE aponta que o Brasil tem cerca de 41,5 milhões de mulheres com dois filhos, representando parcela relevante das mães. Para muitas, a combinação entre maternidade e trabalho é comum e a experiência anterior orienta decisões diárias.

A rotina do primogênito também é impactada. Estudos indicam que a presença de um segundo filho favorece empatia e negociação na criança mais nova, ao mesmo tempo em que o filho mais velho aprende a dividir atenção e recursos. Especialistas ressaltam que o vínculo permanece estável, ainda que com menos ênfase na novidade.

Em saúde mental materna, há alerta para a possibilidade de depressão surgir já na gestação na segunda gravidez. A prática de desacelerar e descansar pode evitar reconhecimentos prematuros de exaustão, apontam especialistas. O fenômeno é observado em consultórios e pesquisas associadas ao tema.

O estudo de Amsterdã reforça que a experiência de ter um segundo filho envolve ganhos de eficiência emocional e de regulação de estímulos, além de mudanças estruturais no cérebro. A pesquisa amplia o entendimento sobre como a maternidade molda o funcionamento cognitivo em diferentes fases da vida.

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