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Vento, calor e sal devastam parte da Antártida

Antártida enfrenta derretimento acelerado causado por ventos intensos, calor das águas profundas e superfície salgada, elevando risco ambiental

Antártida tem sofrido, especialmente desde 2018, com onda ascendente de águas profundas mais quentes - (crédito: University of Southampton)
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  • Entre 2013 e 2018, três eventos combinados desequilibraram o Oceano Antártico, empurrando água quente e salgada das profundezas para a superfície e acelerando o degelo.
  • O efeito foi suficiente para reduzir áreas de gelo do tamanho da Groenlândia, levando a mínimas históricas em 2023.
  • Antártida Oriental perdeu gelo principalmente por influência do oceano; Antártida Ocidental manteve calor na água devido à cobertura de nuvens, com verões de 2016 e 2019.
  • O estudo indica que o gelo marinho regula a circulação oceânica global e que mudanças são alimentadas por ações humanas, como emissões de gases de efeito estufa.
  • Observações recentes apontam aquecimento dos oceanos e possível retorno de El Niño, o que pode manter o nível de gelo baixo e aumentar temperaturas globais.

O clima da Antártida sofreu uma mudança rápida entre 2013 e 2018, levando a uma redução acelerada do gelo marinho. O estudo, liderado por Aditya Narayanan, oceanógrafo da Universidade de Southampton, aponta três eventos combinados que repercutiram no oceano ao redor do continente.

Segundo a pesquisa publicada na Science Advances, água quente e salgada das profundezas emergiu para a superfície por meio de ventos mais fortes, iniciando um processo de degelo que afetou vastas áreas de gelo, equivalentes ao tamanho da Groenlândia. Em 2023, as mínimas históricas de gelo reforçam esse quadro.

Mecanismos e estágios do degelo

Por volta de 2013, ventos intensificados puxaram água profunda para perto da superfície. Em 2015, a mistura entre calor profundo e camada superficial acelerou o derretimento, sobretudo na Antártida Oriental. A partir de 2018, o oceano permanece quente e salgado, dificultando o congelamento.

A equipe aponta que o gelo marinho atua na circulação oceânica global, mas desde 2015 houve uma transformação marcada por perdas extensas. A assimetria é clara: a Antártida Oriental registra queda de gelo impulsionada pelo calor das camadas profundas.

Pausa regional e impactos no Atlântico Sul

Na Antártida Ocidental, o aquecimento ficou retido pelo encoberto de nuvens, com ventos subtrópicos trazendo calor para o polo durante verões de 2016 e 2019. O gelo marinho, que funciona como espelho, reflete menos radiação devido a esse aquecimento.

Coautores enfatizam que fatores humanos — em especial emissões de gases de efeito estufa — ajudam a manter esse estado de alto aquecimento. A persistência desses mecanismos pode sustentar baixos níveis de gelo por longos períodos.

Perspectivas e sinais globais

Especialistas destacam que o Oceano Antártico pode permanecer com baixa cobertura de gelo por tempo prolongado, elevando o aquecimento regional e global. Cientistas ressaltam a necessidade de monitoramento contínuo para entender consequências em ecossistemas locais.

O estudo vincula a evolução do gelo antártico a uma combinação de processos de longo prazo e eventos atmosféricos de curto prazo, reforçando a complexidade do sistema climático mundial. O retorno de El Niño, previsto para os próximos meses, é mencionado como fator que pode intensificar as temperaturas superficiais dos oceanos.

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