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Acidente radioativo de Goiânia transformou abordagens no tratamento do câncer

Quase quarenta anos após o acidente radioativo de Goiânia, protocolos internacionais e o tratamento do câncer no Brasil foram moldados pela atuação de Maria Paula Curado

Técnico da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) mede o índice de radioatividade na cápsula contendo Césio-137, em Goiânia, Goiás, em novembro de 1987.
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  • Em 1987, Goiânia viveu o maior acidente radioativo em área urbana; a médica Maria Paula Curado se ofereceu como voluntária para atuar na crise, sem manuais disponíveis na época.
  • O desconhecimento sobre césio-137 e radiação gerou não apenas vítimas, mas discriminação social contra os moradores da cidade.
  • A experiência levou à criação de protocolos de atendimento e monitoramento em larga escala, além de impulsionar o uso de medicamentos como o granulokine em pacientes submetidos a quimioterapia.
  • Curado estruturou o Registro de Câncer de Base Populacional de Goiânia, o que chamou a atenção da Organização Mundial da Saúde e pavimentou sua atuação em epidemiologia global.
  • Hoje, à frente de estudos no A. C. Camargo Cancer Center, ela trabalha em projetos multicêntricos no Brasil, incluindo Goiânia, Belém e São Paulo, com foco em câncer e letramento em saúde.

Em setembro de 1987, Goiânia vivenciou o maior acidente radioativo em área urbana da história. A médica Maria Paula Curado, então cirurgiã, se ofereceu à Secretaria de Saúde para coordenar a resposta diante de uma crise sem manuais. A gravidade da situação exigia ações rápidas e técnicas novas.

À época, o desconhecimento sobre o césio-137 e sobre radiação causou desinformação e discriminação. Moradores enfrentaram estigma social, e relatos de profissionais que precisaram viajar entre estados com identificação improvável mostram o impacto humano da tragédia.

Em meio à emergência, Curado liderou a construção de protocolos de atendimento e monitoramento para centenas de pessoas, adaptando práticas que geralmente tratavam de casos isolados. A experiência impulsionou o uso de medicações hoje comuns na oncologia, como o granulokine, para pacientes com queda de defesa.

Da Goiânia à prática global

Com o rigor no acompanhamento, a médica estruturou o Registro de Câncer de Base Populacional de Goiânia. O programa chamou a atenção da Organização Mundial da Saúde, que integrou dados do Centro-Oeste brasileiro às suas publicações. O reconhecimento abriu passagem para atuação internacional da pesquisadora.

Essa visão levou Curado a migrar da cirurgia para a epidemiologia global, com projetos na África e na Ásia. O trabalho destacou a importância de dados populacionais para o diagnóstico e o planejamento de políticas de saúde em diferentes contextos.

Educação em saúde e atuação atual

A pesquisadora vê no ressurgimento do tema na cultura popular um convite ao letramento em saúde. O objetivo é ampliar a compreensão pública sobre exposição radioativa e riscos, para que haja condução segura de informações.

Hoje, a Dra. Maria Paula Curado coordena estudos sobre câncer em adultos jovens no A.C. Camargo Cancer Center. Em pesquisas multicêntricas no Brasil, inclui Goiânia e outras regiões para entender causas e fatores regionais da doença.

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