- No Brasil, a perda de água tratada na distribuição é de cerca de 40,1%, ou seja, quase quatro em cada dez copos produzidos.
- Vazamentos invisíveis, subterrâneos, são o principal desafio; detectar com geofones pode levar até 180 dias, enquanto sensores e IA reduzem para cerca de dois dias.
- A Stattus4 atua em cerca de 150 municípios e já recupera aproximadamente 540 milhões de litros de água por dia.
- Em Curitiba, projeto com a Sanepar reduziu perdas no setor mais crítico em 70% em seis meses, e o índice de eficiência da rede (ILI) caiu de 26,4 para 7,2; também houve queda de perdas financeiras diárias.
- Investimentos em saneamento podem gerar grandes economias: cada R$ 1 investido pode economizar até R$ 9 em saúde; com 10% da rede usando a tecnologia, seriam economizados cerca de 50 milhões de metros cúbicos de água por mês e R$ 120 milhões mensalmente.
A perda de água tratada nas redes de distribuição brasileiras segue sendo um gargalo para a segurança hídrica e a eficiência energética. Estima-se que 40,1% da água captada sofra perdas antes de chegar ao consumidor, segundo estudo do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.
Esse desperdício implica consumo adicional de energia em captação, tratamento e bombeamento, elevando também as emissões de carbono associadas ao saneamento. Especialistas destacam a relação direta entre vazamentos, água e energia na infraestrutura urbana.
A Stattus4, empresa de tecnologia voltada à detecção de vazamentos, aponta que a média nacional de perdas é de 40,1%. A executiva Marilia Lara afirma que reduzir pela metade esse volume permitiria abastecer milhões de brasileiros sem acesso pleno à água potável.
Tecnologias para detectar vazamentos
O benefício da combinação de sensores, Internet das Coisas e inteligência artificial é reduzir o tempo de identificação de vazamentos. Em parceria com a Sanepar, um projeto em Curitiba mostrou rápida recuperação de água e melhoria de eficiência.
A empresa afirma que, no modelo tradicional, a detecção de vazamentos invisíveis leva até 180 dias. Com o ecossistema moderno, o prazo cai para cerca de dois dias, com o algoritmo distinguindo ruídos urbanos com precisão de aproximadamente 70%.
Resultados práticos e impactos
Em projetos monitorados, a recuperação de 491 m³/dia de água evita cerca de 98,4 mil kWh/ano de energia e reduz emissões de CO2 em 895 t/ano. Além da energia, o tratamento desperdiça químicos usados para água que não chega ao consumidor.
A atuação da Stattus4 já envolve cerca de 150 municípios no Brasil, com expansão para Portugal. Dados da empresa indicam que os sistemas monitorados recuperaram aproximadamente 540 milhões de litros de água por dia.
Casos e perspectivas
Um piloto em Curitiba, com a Sanepar, envolveu 22 km de rede e 2 mil ligações. Em seis meses, as perdas no trecho crítico caíram 70% e o indicador de eficiência da rede (ILI) ficou de 26,4 para 7,2. A iniciativa também reduziu perdas financeiras diárias.
Segundo a empresa, um ganho diário de 491 m³ de água e uma economia financeira de R$ 1.713 para R$ 526 no trecho analisado representam ganhos expressivos para a gestão pública.
Segurança hídrica e futuro
Sobre o tema, Marilia Lara afirma que investir em saneamento traz retorno social e financeiro: cada R$1 investido gera R$9 em saúde pública. Mesmo com 10% da rede adotando a tecnologia, seria possível economizar dezenas de milhões de metros cúbicos de água mensalmente.
A executiva também ressalta a importância de reduzir perdas para enfrentar as mudanças climáticas, destacando que a economia de água e energia contribui para reduzir emissões.
Entre na conversa da comunidade