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Cristais de açúcar surgem como opção na busca pela matéria escura

Cristais de açúcar são propostos como detectores de matéria escura, visando ampliar sensibilidade a partículas de baixa massa e estimular inovações em sensores

Cristais podem produzir tanto sinais térmicos quanto de luz e a correlação entre os dois permitirá a identificação de diferentes tipos de partículas – Foto: Nachovfranco/Wikimédia Commons
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  • Pesquisadores propõem testar cristais de açúcar como detectores para matéria escura, buscando ampliar a sensibilidade a partículas de baixa massa.
  • O estudo, de uma colaboração internacional com participação brasileira, apresenta resultados em revista científica IEEE Transactions on Applied Superconductivity.
  • Os cristais de açúcar são ricos em hidrogênio e podem produzir sinais térmicos e de cintilação, funcionando como detectores criogênicos a milikelvin.
  • Experimentos existentes usam argônio líquido (DarkSide) e calorímetros criogênicos (CRESST) no Laboratório Nacional de Gran Sasso; pesquisadores da USP participam de ambas as colaborações.
  • O objetivo é detectar matéria escura diretamente em laboratório, contribuindo para compreender o Universo e impulsionar aplicações em sensores, componentes de computação e materiais.

O uso de cristais de açúcar como ferramenta para detectar matéria escura ganha espaço na pesquisa internacional. Pesquisadores envolvidos em uma colaboração com participação brasileira propõem testar esses cristais para ampliar a sensibilidade de detectores a partículas de baixa massa. O estudo foi apresentado em um artigo publicado na IEEE Transactions on Applied Superconductivity.

A proposta visa criar uma via direta de detecção de matéria escura em laboratório, explorando materiais inovadores. Os cristais de açúcar seriam resfriados a temperaturas extremamente baixas e acoplados a sensores ultrassensíveis, buscando sinais de interações raras com partículas hipotéticas.

A equipe envolve pesquisadores do Instituto de Física da USP, que participam de colaborações internacionais, incluindo projetos no Max Planck Institute for Physics. O objetivo central é validar o uso de cristais de açúcar como detectores em futuras fases experimentais.

Detalhes do estudo

Os cristais apresentam alto conteúdo de hidrogênio, o que favorece a detecção de partículas de baixa massa. Eles operam em regimes criogênicos, com sensores de alta sensibilidade para registrar pequenos depósitos de energia.

Os sinais esperados incluem variações térmicas e possível cintilação de luz. A relação entre esses sinais ajuda a diferenciar tipos de partículas e reduzir o ruído de fundo nos experimentos.

A pesquisa observa que as detecções atuais já utilizam detectores de argônio líquido e calorímetros criogênicos, em instalações como laboratórios de gran Sasso, na Itália. Pesquisadores da USP participam ativamente dessas frentes, que ainda não forneceram evidência conclusiva da matéria escura.

Contexto científico

Segundo a equipe, a matéria escura não emite nem absorve luz, sendo inferida por efeitos gravitacionais. Estima-se que responda por cerca de 26% do conteúdo de energia do Universo, mas sua composição permanece desconhecida.

O projeto no Max Planck Institute for Physics envolve colaboração com pesquisadores alemães e internacionais. O artigo que descreve a pesquisa foi intitulado The SWEET Project: Probing Sugar Crystals for Direct Dark Matter Searches, e discute o potencial dos cristais para detectar interações diretas em laboratórios.

Perspectivas e próximos passos

Os autores destacam que a pesquisa ainda está em estágio inicial, com questões sobre o desempenho em limiar de energia e calibração. Caso os parâmetros se mostrem adequados, os cristais poderiam ser produzidos em escala para fases experimentais futuras.

A equipe destaca impactos potenciais na física de partículas, cosmologia e tecnologia de sensores. Entre as aplicações esperadas estão avanços em computação quântica, metrologia de precisão e sensores ambientais, além de contribuir para a compreensão da formação do Universo.

Fontes e contatos

O estudo foi desenvolvido no Max Planck Institute for Physics, com participação de pesquisadores da instituição e de parceiros associados. Mais informações podem ser obtidas via contato institucional da USP com o professor Pedro Guillaumon.

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