- Estudo analisou mortalidade em 654 regiões europeias entre 2000 e 2019 e relacionou desigualdade econômica ao calor e frio extremos.
- Reduzir a desigualdade para patamares da Eslovênia poderia diminuir até 30% as mortes associadas a temperaturas extremas, cerca de 109 mil vidas por ano.
- Indicadores como pobreza, privação material e dificuldade para aquecer casas foram ligados ao aumento da mortalidade relacionada ao clima.
- Regiões mais desenvolvidas registraram menos mortes por frio, mas mais ondas de calor, possivelmente por efeito de ilha de calor urbana e maior pobreza energética.
- Hoje o frio ainda mata mais que o calor na Europa, mas a tendência aponta aquecimento mais rápido no continente, com aumento médio de 0,56°C por década desde os anos noventa.
Um estudo internacional aponta que a desigualdade social na Europa pode provocar mais de 100 mil mortes extras por ano ligadas ao calor e ao frio. A pesquisa avalia cenários de redução da desigualdade econômica no continente.
Foram analisadas mortalidades em 654 regiões europeias entre 2000 e 2019. A hipótese mostra que reduzir a desigualdade para patamares semelhantes aos da Eslovênia poderia diminuir até 30% as óbitos associados a temperaturas extremas, correspondendo a cerca de 109 mil vidas poupadas anualmente.
Indicadores como pobreza, privação material e dificuldade para aquecer casas foram associados ao aumento da mortalidade relacionada ao clima. A autora principal, Blanca Paniello-Castillo, observa que políticas mais alinhadas à equidade poderiam atingir dois objetivos simultaneamente, segundo dados de The Guardian.
Desigualdade regional e padrões de mortalidade
As regiões mais desenvolvidas mostram menor mortalidade por frio, em parte pela melhor isolação de casas e menor pobreza energética, mas enfrentam mais mortes em ondas de calor devido ao efeito ilha de calor urbana. A pesquisa destaca diferenças entre áreas ricas e pobres.
Cientistas ressaltam que o frio ainda é a principal causa de mortes na Europa atualmente, mas a tendência aponta para mudanças rápidas. O continente aquece mais rápido que outras regiões, com aumento médio de 0,56°C por década desde os anos 1990.
Perspectivas futuras e impactos
Estudos sugerem que o aquecimento acelerado pode alterar o equilíbrio entre mortes por frio e por calor nos próximos anos. Dados reforçam a importância de políticas públicas que integrem redução de desigualdades a estratégias climáticas e de saúde.
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