- Empresas de cripto buscam tornar carteiras e custódia resistentes à computação quântica, visando atualizar a infraestrutura de usuário antes das mudanças nos protocolos centrais.
- A pressa reflete a avaliação de que atualizações em nível de rede do Bitcoin e do Ethereum podem levar anos, mantendo as carteiras expostas no interim, com previsão de Dia Q em até 2030.
- A Silence Laboratories adicionou suporte para assinaturas distribuídas (MPC) usando ML-DSA, alinhado aos algoritmos pós-quânticos aprovados pelo NIST (SPHINCS+, Falcon, CRYSTALS-Dilithium) e avaliados para compatibilidade.
- Em MPC, a chave é dividida entre nós, e a assinatura é criada sem reconstrução da chave, permitindo migração sem alterar a infraestrutura existente.
- Outras abordagens incluem camadas de contratos inteligentes para Bitcoin e propostas que substituem criptografia de curva elíptica por assinaturas baseadas em hash, com desafios de custo e escalabilidade.
Empresas do setor de criptomoedas estão acelerando a proteção de carteiras e serviços de custódia contra a futura ameaça da computação quântica. A ideia é atualizar a infraestrutura voltada para o usuário sem depender de mudanças rápidas nos protocolos centrais das blockchains como Bitcoin e Ethereum.
Essa corrida reflete a expectativa de que alterações em nível de rede podem levar anos, mantendo carteiras vulneráveis por um período. Pesquisas recentes estimam que a ameaça quântica possa ganhar força até 2030, aumentando a pressão por soluções mais rápidas de proteção.
Silence Laboratories avança com assinaturas distribuídas
A Silence Laboratories informou ter incorporado suporte a assinaturas distribuídas por meio de MPC, utilizando o algoritmo ML-DSA, indicado pelo NIST. A empresa ressalta que nem todos os esquemas aprovados pelo NIST atendem aos critérios de compatibilidade com MPC, exigindo avaliação de eficiência e compatibilidade entre escolhas diferentes.
O CEO e cofundador, Jay Prakash, explica que a proteção reside na geração de chaves em nós isolados, com assinaturas produzidas de forma conjunta e sem reconstrução da chave. Segundo ele, instituições conectadas a esse modelo já reconhecem que as chaves não podem ficar concentradas em um único lugar.
Benefícios para custodiantes e carteiras institucionais
Sistemas MPC dividem as chaves privadas em múltiplos dispositivos, o que já é comum em custodiantes e carteiras institucionais. A Silence afirma que a atualização de carteiras para um modelo pós-quântica pode ocorrer sem alterações profundas na infraestrutura existente, funcionando como uma atualização de código.
O argumento é de que bancos ou custodiante com infraestrutura MPC pode migrar para uma carteira baseada em MPC pós-quântica mantendo a experiência do usuário. O objetivo é oferecer uma camada de assinatura segura sem exigir migração arquitetônica.
Caminhos alternativos em análise
Outras iniciativas exploram soluções fora do nível da carteira. Desenvolvedores de uma carteira associada à Postquant Labs trabalham em uma camada de contratos inteligentes para adicionar assinaturas resistentes à computação quântica sobre o Bitcoin, sem alterar o protocolo básico.
Pesquisas recentes discutem ainda abordagens como substituição da criptografia de curva elíptica por assinaturas baseadas em hash, operando dentro das regras da rede. Tais propostas costumam ser vistas como medidas de último recurso e com custo elevado.
Desafios e perspectivas
O desafio continua sendo o tempo, já que nenhum computador quântico capaz de quebrar a criptografia atual existe hoje. Mesmo assim, avanços recentes mantêm o foco em soluções que possam ser implementadas rapidamente, especialmente no nível da carteira, limitando os riscos sem depender de mudanças profundas na rede.
Especialistas destacam que atualizar apenas as carteiras, sem atualização correspondente das blockchains, pode não bastar para proteção total. A coordenação entre ferramentas de custódia, carteiras e redes permanece essencial para a segurança dos usuários.
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