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Erupção vulcânica desencadeia reação química que limpa poluição do ar

Erupção do vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha'apai gerou nuvem de formaldeído que reduziu metano na atmosfera, segundo estudo na Nature Communications

Imagem de satélite obtida pelo satélite VIIRS em janeiro de 2022 mostrando em azul a nuvem de formaldeído ligada à erupção do vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha'apai. À esquerda, vê-se a costa australiana — Foto: van Herpen et al. (2026)
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  • A erupção do vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, em janeiro de 2022, criou uma pluma que ajudou a destruir parte do metano liberado na erupção.
  • Pesquisadores rastrearam uma nuvem de formaldeído em concentrações recordes na pluma, indicativo da decomposição do metano ao longo de mais de uma semana.
  • A hipótese aponta que a combinação de cinzas, água salgada e luz solar gerou cloro altamente reativo, que quebrou moléculas de metano.
  • O estudo estima que cerca de 300 gigagramas de metano foram liberados pela erupção, enquanto o fenômeno natural removeu aproximadamente 900 megagramas por dia.
  • A pesquisa, publicada na Nature Communications, utilizou o instrumento TROPOMI para monitorar a pluma estratosférica, abrindo caminhos para novas estratégias de redução do metano no curto prazo.

O estudo publicado na Nature Communications aponta um mecanismo indireto e natural de redução do metano na atmosfera causado pela erupção do vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, no Pacífico Sul, em janeiro de 2022. A pesquisa mostrou que a gigantesca pluma de cinzas, água salgada e minerais pode desencadear reações químicas que destroem parte do metano liberado pela própria erupção, reduzindo sua concentração ao longo de dias.

Cientistas utilizaram imagens de satélite para acompanhar uma nuvem de formaldeído associada ao metano destruído. A assinatura química foi observada por cerca de 10 dias, indo da zona do vulcão até a América do Sul, o que indicou que o metano pereceu continuamente por mais de uma semana. O formaldeído serve como indicativo da decomposição do metano na atmosfera.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre cinzas vulcânicas, água do mar e luz solar facilita a formação de cloro altamente reativo, capaz de quebrar moléculas de metano. O mecanismo, já identificado em 2023 em outro contexto atmosférico, ocorre agora em uma pluma estratosférica, com condições físicas distintas. A descoberta, liderada por Maarten van Herpen, aponta um cenário inovador para a compreensão do ciclo do metano.

Entre os números do estudo, estima-se que o vulcão tenha liberado cerca de 300 gigagramas de metano durante a erupção, nível considerado expressivo frente às emissões anuais de algumas grandes atividades agropecuárias. Paralelamente, o processo natural removeu aproximadamente 900 megagramas de metano por dia, contribuindo para a redução líquida na atmosfera ao longo do período de observação.

A pesquisa também destaca o uso do instrumento TROPOMI, do satélite Sentinel-5P, da Agência Espacial Europeia, para monitorar a pluma vulcânica. Os cientistas ajustaram a sensibilidade do equipamento para a altitude incomum da assinatura, levando em conta interferências de dióxido de enxofre presentes na pluma.

Os autores ressaltam que a descoberta não substitui a urgência de reduzir as emissões de metano e de outros gases de efeito estufa. Em vez disso, os resultados abrem caminho para novas possibilidades tecnológicas que possam acelerar a decomposição do metano na atmosfera, desde que comprovadas a segurança e a eficácia dessas abordagens.

A pesquisa também sugere que a poeira atmosférica de erupções vulcânicas pode influenciar o balanço de metano global, exigindo revisões em dados e modelos climáticos. Especialistas destacam que, mesmo com esse efeito observado, é essencial manter o foco na redução de emissões de metano de fontes humanas e naturais para limitar o aquecimento global.

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