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Hantavírus mata quase metade dos infectados no Brasil; onde há mais risco

Hantavirose permanece endêmica no Brasil, com letalidade de 46,5% e foco em áreas rurais; episódio no navio não aponta epidemia no país

Mulher de luvas e usando equipamentos de proteção faz teste em um laboratório
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  • No Brasil, hantavirose é endêmica em regiões específicas, com 2.429 casos confirmados entre 1993 e 2025 e taxa de letalidade média de 46,5%.
  • Em 2026, foram registrados sete casos, com uma morte.
  • A cepa andina identificada no navio de cruzeiro não circula no Brasil; a transmissão entre pessoas é considerada rara.
  • O principal fator de risco é a exposição em áreas rurais e atividades agrícolas; o grupo mais afetado é homens de 20 a 39 anos.
  • Em 2025, Fiocruz e Universidade Federal do Rio de Janeiro desenvolveram um teste rápido que detecta a hantavirose em até 20 minutos com uma gota de sangue e já possui registro da Anvisa.

Os casos de hantavírus seguem circuitando no Brasil, com maior registro em áreas rurais. O episódio envolvendo um navio de cruzeiro que saiu da Argentina gerou temor, mas não há relação comprovada com o surto ocorrido a bordo nem com o país.

No Brasil, a hantavirose é considerada endêmica. O Ministério da Saúde aponta que o vírus circula de forma contínua em regiões específicas, principalmente rurais. A cepa associada ao navio não circula no país.

Segundo o ministério, foram registrados sete casos em 2026 até 27 de abril, com uma morte. Entre 1993 e 2025, o Brasil teve 2.429 casos confirmados e 997 óbitos.

Além disso, o Ministério da Saúde mapeia a distribuição regional: Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram o maior número de casos. A Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus já foi relatada em 16 estados.

A hantavirose é transmitida principalmente por roedores silvestres, não por espécies urbanas. Em áreas rurais, atividades agrícolas elevam o risco de exposição à poeira contaminada por urina, fezes ou saliva de roedores.

Em termos de gravidade, a taxa de letalidade média no Brasil é de 46,5%. A evolução rápida para falência pulmonar torna o diagnóstico precoce essencial para a sobrevivência.

O vírus Andes, identificado em alguns casos na América do Sul, pode transmitir entre pessoas em situações muito específicas e de contato próximo. No entanto, esse tipo de transmissão é raro e não configura potencial pandêmico semelhante ao de outros coronavírus.

Para evitar contágio, o Ministério da Saúde orienta evitar contato com roedores, limpar locais fechados com cuidado e umedecer áreas com poeira. Também recomenda armazenar alimentos corretamente e eliminar entulhos.

Avanço tecnológico

Em 2025, Fiocruz e UFRJ desenvolveram um teste rápido para hantavirose, com resultado em até 20 minutos a partir de uma gota de sangue. A sensibilidade é de 94% e a especificidade chega a 100%.

O teste detecta anticorpos IgM contra o vírus, incluindo a cepa Andes, e pode usar soro, sangue ou plasma. Ele facilita o diagnóstico em áreas remotas, onde serviços laboratoriais são mais limitados.

O kit já tem registro da Anvisa, e a distribuição depende da demanda do Ministério da Saúde. A BBC questionou o ministério sobre locais de distribuição, mas não houve retorno à publicação.

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