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Ratos aprendem a cantar em dueto, como surgiu essa habilidade

Ratos-cantores não ganham cérebro novo; reforço entre áreas auditivas e motoras sustenta canto em dueto, apontando base neural para turnos na fala

Imagem aproximada de um rato (Scotinomys teguina) com a boca aberta.
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  • Rato-cantor-de-Alston canta em dueto, esperando o parceiro terminar para responder, em padrão de turnos similar à conversa humana.
  • Cientistas usaram MAPseq para mapear milhares de neurônios e constataram que não houve circuitos novos, apenas reforço das conexões existentes.
  • Em relação à camundonga comum, o rato cantor tem cerca de três vezes mais neurônios na conexão entre áreas motoras da boca/vocalização e áreas auditivas.
  • As áreas-chave envolvidas são a região motora relacionada à vocalização, uma área de audição e a substância cinzenta periaquedutal do mesencéfalo, que controla vocalizações.
  • A descoberta sugere que mudanças quantitativas nas conexões neurais podem gerar comportamentos complexos e oferece pistas para a evolução da linguagem humana, com possíveis aplicações futuras em tratamentos de distúrbios da fala.

O rato-cantor-de-Alston, um small roedor da América Central, canta em duetos organizados, esperando o parceiro terminar de falar antes de responder. O alimento da pesquisa foi publicado na revista Nature, apontando que o comportamento vocal não requer mudanças radicais no cérebro.

Os cientistas compararam o cérebro do rato-cantor com o de camundongos-comuns. Apesar da semelhança estrutural, as conexões entre as áreas de audição e de produção vocal diferem em intensidade. A ideia é que pequenas alterações nas ligações neuronais gerem comportamentos mais complexos.

A equipe usou MAPseq, técnica que marca células com códigos genéticos para rastrear sinais neuronais. Foram mapeados mais de 76 mil neurônios, revelando que o rato-cantor não possui novas áreas; houve reforço nas ligações entre regiões motoras da boca e áreas auditivas.

Entre as áreas fortalecidas, destacam-se a região auditiva e a substância cinzenta periaquedutal, no mesencéfalo. Elas correspondem ao controle de vocalizações. A evolução, segundo os autores, reforçou circuitos existentes, não criou novos.

Essa configuração produz cantos longos, de até 16 segundos, com dezenas de notas rápidas. O padrão de turnos entre os indivíduos lembra uma conversa humana mais do que vocalizações simultâneas.

Os pesquisadores enfatizam que as mudanças não são quantitativas radicais, mas ajustes na conectividade neural. A hipótese é que comportamentos sofisticados possam emergir de alterações graduais no trânsito de sinais.

A pesquisa sugere que estudos comparando espécies próximas, com comportamentos distintos, podem esclarecer a origem de capacidades como a linguagem. Assim, avanços cerebrais podem ocorrer por reforço de conexões já existentes.

Segundo os autores, o estudo abre caminho para compreender como pequenas alterações na fiação cerebral influenciam a comunicação vocal. A médio prazo, essa linha pode subsidiar terapias de distúrbios da fala e reabilitação neurológica.

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