- Um estudo analisou mais de 1.200 compromissos ambientais de 33 das maiores empresas do setor de carne e laticínios entre 2021 e 2024, encontrando que 98% poderiam ser considerados greenwashing.
- Os pesquisadores apontaram padrões de informações “enganosas” sobre estratégias, metas e ações ambientais, que podem criar a ilusão de progresso, com muitas promessas vagas de redução de emissões ou metas de zero netos.
- Emissões de gases de efeito estufa, incluindo desmatamento, representam pelo menos 16,5% do total humano; mais de um terço das alegações ambientais apresentadas são vagas e pouco avaliadas quanto à viabilidade.
- Exemplos citados incluem a Companhia Cargill, que afirmou eliminar desmatamento na cadeia de suprimentos de grãos até 2025, mas alterou o ano-base para 2020 sem mudar a origem das áreas de soja.
- Danone, líder global em laticínios, prometeu no passado não haver desmatamento em commodities-chave até 2025, porém não há provas apresentadas de implementação ou verificação independente; outras empresas também mantêm promessas sem evidências claras.
Do estudo, publicado em revista científica, ficou claro que a maioria das promessas ambientais de grandes empresas do setor de carne e lácteo não corresponde a ações efetivas. A pesquisa analisou mais de 1.200 compromissos de 33 empresas entre 2021 e 2024 e concluiu que 98% podem ser classificadas como greenwashing.
Os autores descrevem um padrão de informações enganosas sobre estratégias, metas e ações ambientais, com potencial de criar a ilusão de progresso sem implementação robusta. A pesquisadora Maya Bach, da Universidade de Miami, afirma que as promessas muitas vezes carecem de fundamentação verificável.
Segundo o estudo, mais de um terço dos compromissos apresentavam metas climáticas vagas, como redução de emissões e neutrality, sem planos de execução nem avaliação de viabilidade. Em relação aos impactos, a produção de carne e lácteos responde por boa parte das emissões humanas e à mudança no uso do solo.
Exemplos e padrões de greenwashing
Entre os casos analisados, a trading company Cargill declarou em 2023 que eliminaria o desmatamento da cadeia de suprimento de culturas-chave na América do Sul até 2025. Em 2024, porém, o relatório mudou o marco de avaliação para 2020, alinhando-se a novas regras da União Europeia para desmatamento, sem alterar a origem da soja.
Outras empresas foram citadas por linguagem vaga ou seletiva. Minerva Foods, atuando no Brasil, prometeu zero desmatamento ilegal na cadeia de fornecimento sul-americana até 2030. Já Danone, gigante global de laticínios, prometeu não desmatar em commodities relacionadas até 2025, sem comprovação de como essa medição seria feita ou verificada de forma independente.
O estudo aponta ainda dificuldades de rastreabilidade em 2024, em preparação para a implementação da legislação europeia. Os autores ressaltam que propostas sem evidência ou investimento costumam soar como estratégias de relações públicas, não como ações ambientais concretas, segundo a coautora Jennifer Jacquet.
Os pesquisadores destacam que as promessas, sem planos de implementação e verificação, reduzem a credibilidade do setor e dificultam a avaliação pública de avanços reais. O trabalho incentiva auditorias independentes e dados verificáveis para sustentar qualquer medida anunciada.
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