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Ameaça à saúde associada à interdição da carne brasileira pela UE

União Europeia suspende importação de carne brasileira por falhas no controle de antimicrobianos; resistência antimicrobiana é ameaça global com impactos sanitários e econômicos

E. coli: um em cada cinco casos não responde ao tratamento com antibióticos padrão (Thinkstock/VEJA/VEJA)
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  • A União Europeia excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e animais, por não cumprir regras de controle do uso excessivo de antimicrobianos na pecuária, com validade a partir de 3 de setembro.
  • A medida faz parte de ações da UE dentro do conceito “One Health”, que envolve saúde humana, animal e ambiental para reduzir a resistência antimicrobiana.
  • A resistência antimicrobiana é considerada pela Organização Mundial da Saúde como uma das maiores ameaças globais à saúde pública, sendo responsável por milhões de mortes e custos médicos elevados.
  • Estima-se que a resistência antimicrobiana possa acrescentar até um trilhão de dólares em custos de saúde até 2050 e provocar perdas significativas no PIB até 2030, segundo a Comissão Europeia.
  • O Ministério da Agricultura afirmou ter recebido a notícia com surpresa e prometeu tomar medidas para reverter a decisão.

O texto trata da decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e animais devido ao uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. A medida foi anunciada pela UE e passa a valer a partir de 3 de setembro, como parte de ações para enfrentar a resistência antimicrobiana. A iniciativa integra o conceito de One Health, que relaciona a saúde humana, animal e ambiental.

A resistência antimicrobiana é apontada pela OMS como uma das maiores ameaças globais à saúde pública. A UE tem atuado desde 2017 para reduzir o uso indiscriminado de antibióticos na pecuária, buscando evitar mutações que tornem os tratamentos ineficazes. A econômia global também é citada como afetada por custos de internações e queda de produtividade.

Segundo dados da OMS, a resistência antimicrobiana causa cerca de 1,27 milhão de mortes por ano, com outras 4,95 milhões de óbitos atribuídos a fatores relacionados. Casos de infecção por Escherichia coli com resistência a antibióticos já representam um quinto das ocorrências urinárias tratadas com antibióticos padrão.

Impactos da medida e próximos passos

A Comissão Europeia ressalta impactos na saúde e no ambiente, enfatizando ações integradas entre setores para conter a resistência. Estima-se que custos globais de saúde podem chegar a US$ 1 trilhão por ano até 2050, com efeitos macroeconômicos expressivos até 2030.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou ter recebido a notícia com surpresa e declarou que adotará todas as medidas cabíveis para reverter a decisão. A pasta deve orientar esforços para restabelecer o acesso do Brasil aos mercados europeus.

Contexto regulatório e motivos

A decisão europeia está alinhada a políticas para reduzir o uso indevido de antimicrobianos na agropecuária, preservando a eficácia dos fármacos. O objetivo é reduzir a resistência em humanos, animais e no ambiente, promovendo uma abordagem de saúde única.

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