- estudo da University College London analisou 3.556 adultos do UK Household Longitudinal Study e avaliou o impacto de atividades artísticas e culturais na velocidade do envelhecimento biológico.
- usar relógios epigenéticos (medem idade Biológica a partir de alterações no DNA) mostrou que envolver-se com artes e cultura desacelera o envelhecimento, com efeitos similares aos das atividades físicas.
- quem participa de atividades artísticas semanalmente apresentou até 1,02 ano a menos de idade biológica em um relógio (PhenoAge) em comparação a quem pratica apenas uma ou duas vezes por ano; maior diversidade de experiências culturais também trouxe maior benefício.
- os efeitos foram mais fortes em adultos acima dos 40 anos, destacando a relevância de intervenções de estilo de vida nessa faixa etária.
- estudo é observacional, controla fatores como renda e tabagismo, e aponta que a prática cultural pode reduzir estresse, inflamação e risco de doenças, sugerindo que políticas de saúde incluam acesso à cultura e à convivência social.
A pesquisa, conduzida pela University College London, aponta que atividades artísticas e culturais podem desacelerar o envelhecimento biológico, com efeitos comparáveis aos exercícios físicos. O estudo foi publicado recentemente na revista Innovation in Aging.
Foram analisados dados de 3.556 adultos do UK Household Longitudinal Study. Os pesquisadores observaram relações entre lazer, prática física e relógios epigenéticos, que estimam a velocidade do envelhecimento a partir de alterações no DNA.
Entre as atividades avaliadas estavam cantar, dançar, pintar, fotografar e frequentar museus, bibliotecas e eventos culturais. O envolvimento artístico ocorreu com frequência e diversidade de experiências.
Impacto mensurável
Os autores afirmam que, pela primeira vez em escala populacional, o envolvimento cultural se relaciona a marcadores biológicos do envelhecimento. A comparação com hábitos saudáveis mostra resultados notáveis em alguns relógios epigenéticos.
Quem participa de atividades artísticas semanalmente apresentou, em um dos relógios, uma idade biológica até 1,02 ano menor, em relação a quem realiza tais atividades poucas vezes ao ano. O ritmo de deterioração também foi mais lento.
Frequência e diversidade
Os benefícios aparecem tanto pela frequência quanto pela variedade de atividades. Quanto mais experiências culturais distintas, maior a desaceleração biológica observada, ao lado do que ocorre com a prática física.
O estudo destaca que o desenho é observacional e não prova causalidade. Ainda assim, utiliza métodos estatísticos para controlar fatores como renda, escolaridade, tabagismo e doenças preexistentes.
Mecanismos e implicações
Os autores apontam que a redução do estresse crônico pode explicar parte dos efeitos. Experimentos anteriores indicam que ouvir música afeta genes ligados à neuroplasticidade e inflamação.
Pesquisadores ressaltam que a OMS reconhece a importância da arte para a saúde desde 2019, sugerindo que políticas públicas de saúde incluam cultura e contato social como fatores de proteção.
Perspectivas para políticas
Especialistas destacam que o estudo reforça a ideia de que arte não é luxo, mas prática que pode proteger o organismo. Contudo, não há prescrição exata igual à de exercícios, e mais pesquisas são necessárias.
Os autores ressaltam que impactos foram mais fortes em pessoas acima dos 40 anos, período em que alterações inflamatórias e estresse ganham relevância para o envelhecimento.
Considerações finais
O trabalho contribui para um conjunto crescente de evidências sobre saúde e artes. Embora não haja causalidade comprovada, os resultados sugerem benefícios biológicos ao engajamento cultural contínuo ao longo da vida.
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