- Mosquitos causam cerca de 760 mil mortes por ano e são vetores de doenças como malária, dengue, febre amarela, chikungunya e zika.
- Das aproximadamente 3.500 espécies, apenas cerca de 100 picam pessoas e 5 delas respondem por quase 95% das infecções em humanos.
- Cientistas discutem se seria tolerável erradicar esses mosquitos letais, alegando impactos ambientais mínimos se outros insetos substituírem o seu nicho ecológico.
- Estratégias em estudo incluem liberação de mosquitos geneticamente modificados para tornar fêmeas estéreis e o uso da bactéria Wolbachia em Aedes aegypti para reduzir a transmissão de doenças.
- A produção de evidências inclui queda de dengue em 89% após liberações com Wolbachia em Niterói (2025); porém, há debates sobre viabilidade, apoio político e necessidade de diagnósticos e tratamentos mais eficazes, enquanto cortes de ajuda internacional representam riscos.
A bióloga Hilary Ranson, da Escola de Medicina Tropical de Liverpool, afirma que erradicar mosquitos transmissores de doenças não seria necessário nem catastrófico ao ecossistema. Estima-se que esses insetos causem cerca de 760 mil mortes por ano.
Entre as cerca de 3.500 espécies de mosquitos, apenas aproximadamente 100 picam pessoas, e cinco delas respondem por quase 95% das infecções humanas, segundo a pesquisadora. Essas espécies convivem próxima aos humanos.
Ranson aponta que a extinção dessas cinco espécies seria tolerável ambientalmente, já que mosquitos geneticamente parecidos, porém menos letais, ocupariam o espaço deixado pelo grupo eliminado.
Debate ético
O entomólogo Dan Peach, da Universidade da Geórgia, afirma que ainda faltam informações para comparar opções com segurança. Ele aponta que mosquitos ajudam na transferência de nutrientes, servem de alimento e polinizam plantas, situações que variam conforme a espécie.
Segundo a pesquisadora, a eliminação de mosquitos envolve questões éticas legítimas, mesmo diante de danos causados por eles. Ela ressalta que humanos já eliminam espécies de forma indireta ao longo do tempo.
Estratégias de combate
Uma das tecnologias em estudo é o impulso genético, que modifica cromossomos para transmitir uma característica à prole. Em laboratório, fêmeas de Anopheles gambiae foram tornadas estéreis, reduzindo a população. Ensaio clínico pode ocorrer até 2030.
Outra abordagem é infectar mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, reduzindo a capacidade de transmissão de dengue. Estudos indicam redução de casos em locais onde foi aplicada.
Avanços e testes
Em Niterói, Rio de Janeiro, a liberação de mosquitos com Wolbachia reduziu em 89% os casos de dengue, segundo estudo de 2025. Mais de 16 milhões de pessoas em 15 países passam a se beneficiar dessa tecnologia.
Projetos de “transmissão zero” buscam impedir a transmissão da malária por Anopheles gambiae por meio de genética. Pesquisas recentes sinalizam avanços, com testes de campo previstos para 2030.
Desafios e cooperação
A implementação depende de apoio político e adesão de países onde as doenças são endêmicas. Em Burkina Faso, por exemplo, testes com mosquitos geneticamente modificados foram suspensos após críticas da sociedade civil.
Especialistas destacam a necessidade de ampliar o acesso a diagnósticos, tratamentos e vacinas como prioridade global. Cortes em ajuda internacional desde 2025 elevam incertezas sobre o avanço dessas estratégias.
Entre na conversa da comunidade