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Casos de hantavírus sobem na Argentina após incêndios e mudanças climáticas

Hantavírus registra surto na Argentina, maior desde 2018, com 101 infecções e 32 mortes na temporada iniciada em junho de 2025, em meio a incêndios e degradação na Patagônia

Ratos silvestres, como o Rattus norvegicus, estão entre os animais que podem se aproximar de áreas ocupadas por humanos após incêndios, desmatamento e alterações climáticas extremas. — Foto: Morgan Stephenson/Getty Images
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  • Argentina registra 101 infecções e 32 mortes por hantavírus desde junho de 2025, maior número desde 2018.
  • A crise climática, o desmatamento e incêndios florestais na Patagônia ajudam o deslocamento de roedores que transmitem o vírus.
  • A transmissão é associada principalmente ao rato-de-cauda-longa, com aproximação de animais a áreas humanas devido às mudanças no habitat.
  • Os incêndios florestais de janeiro na Patagônia intensificaram o cenário, em meio a ondas de calor e seca extrema.
  • O caso do navio de cruzeiro MV Hondius, que saiu de Ushuaia em abril, resultou na morte de três passageiros com sintomas compatíveis e está em investigação.

A combinação de mudanças climáticas, desmatamento e incêndios florestais está associada ao aumento de hantavírus na Argentina. O período epidemiológico atual, iniciado em junho de 2025, já soma 101 infecções e 32 mortes, segundo o Climainfo. É o maior número desde 2018, com maior impacto na Patagônia.

O hantavírus é transmitido principalmente por roedores infectados, como o rato-de-cauda-longa. A proximidade entre animais e áreas humanas aumenta conforme aquecimento, fragmentação de habitats e incêndios, impulsionando a circulação do vírus. A biodiversidade atua como barreira natural contra zoonoses.

O fenômeno é contextualizado por episódios de calor, seca e grandes focos de incêndio na região. Especialistas destacam que a perda de habitats favorece espécies mais resistentes e a aproximação de roedores a áreas urbanas e rurais.

Contexto ambiental e responsável científico

Pesquisadores apontam que ecossistemas preservados reduzem o risco de transmissão de doenças entre animais e humanos. Florestas degradadas costumam abrigar espécies que podem atuar como hospedeiras de vírus, elevando a probabilidade de contagio.

Incêndios na Patagônia, registrados com maior intensidade neste ano, contribuíram para o deslocamento da fauna. A região enfrentou o maior número de focos em mais de duas décadas, acentuando a pressão sobre ecossistemas vulneráveis.

Caso do MV Hondius

Além dos casos na Argentina, a vigilância sanitária investiga o navio de cruzeiro MV Hondius. A embarcação, que saiu de Ushuaia no início de abril, registrou mortes de três passageiros com sintomas compatíveis com hantavírus durante a viagem. A ocorrência chamou atenção internacional para a circulação da doença na região.

A notícia reforça a preocupação de cientistas com zoonoses e a necessidade de monitoramento contínuo de saúde pública em áreas afetadas pelo aquecimento global e pela degradação ambiental.

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