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Cientistas tentam salvar material genético de grande araucária para clonagem

Queda de araucária de 44 metros mobiliza coleta de tecido para clonagem, visando preservar patrimônio genético e características raras

A queda da araucária deu início a uma mobilização para tentar preservar seu material genético. (Foto: Katia Pichelli/Embrapa Florestas)
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  • Uma araucária conhecida como “pinheirão”, com 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro, caiu na Estação Experimental da Embrapa em Caçador, SC, encerrando um ciclo científico e histórico.
  • Pesquisadores coletaram tecidos da copa para possível clonagem, visando preservar características raras da árvore; o material deve ser coletado entre cinco e dez dias após a queda, com brotações viáveis já identificadas.
  • As amostras seguem para enxertia em laboratório, processo que deve durar cerca de cem dias para confirmar o sucesso e preservar o patrimônio genético do exemplar.
  • A idade do pinheirão é incerta devido ao tronco oco, que impediu a dendrocronologia; o porte sugere décadas ou séculos de desenvolvimento.
  • O caso ocorre em meio a ações de mapeamento de árvores gigantes no Sul do Brasil e reforça o vínculo da árvore com a comunidade científica e internacional, além de envolver interesse de entidades como a Embrapa Florestas e parceiros locais.

Durante semanas, a Araucária conhecida como pinheirão, da Estação Experimental da Embrapa em Caçador, sofreu tombamento. Com 44 m de altura e 2,45 m de diâmetro, era um dos maiores exemplares e área de referência científica no estado. Pesquisadores acionaram-se para preservar o material genético.

A coleta ocorreu após o tombamento, na copa da árvore, onde tecidos jovens permanecem mais ativos. O objetivo é verificar a viabilidade de clonagem para manter características raras da planta. O prazo indicado é de cinco a dez dias após a queda, quando possível.

As amostras foram levadas a um laboratório para enxertia. O procedimento deve levar cerca de 100 dias para confirmar o sucesso. Caso seja bem-sucedido, o material genético poderá ser preservado mesmo após a queda.

O pinheirão não tinha idade definida com precisão, pois o tronco oco inviabilizou a dendrocronologia. A idade mínima só pode ser estimada a partir de discos de madeira coletados em altura elevada, próximo a cinco metros do solo.

A árvore era referência científica e cultural, marcando a rotina de pesquisas na região desde os anos 2000. Ela recebia visitas técnicas e já integrou agendas de várias instituições internacionais, além de ter sido registrada para projetos artísticos do Sesc.

Contexto maior: árvores gigantes e vulnerabilidade

Especialistas apontam que a queda ocorre em um cenário de maior vulnerabilidade de grandes árvores no Sul do Brasil. Estudos indicam que solos saturados, especialmente argilosos, reduzem a ancoragem das raízes durante chuvas intensas associadas ao El Niño.

O levantamento também busca mapear exemplares com diâmetro superior a 1,5 m para orientar estratégias de conservação. Entre ciência e memória, o desafio é garantir que histórias como a do pinheirão não se percam.

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