- Estudo com trinta e oito gestantes entre vinte e oito e trinta e duas semanas avaliou se o bocejo da mãe pode influenciar o feto ainda no útero, usando ultrassom e vídeos de bocejando.
- As participantes assistiram a três tipos de vídeos: bocejo; apenas abertura e fechamento da boca; e rostos neutros; as gravações foram analisadas por especialistas e pela inteligência artificial DeepLabCut.
- Cerca de sessenta e quatro por cento das mães bocejou ao ver os vídeos; pouco mais da metade dos fetos reagiu bocejando cerca de noventa segundos depois, efeito semelhante ao contagio entre adultos.
- O fenômeno ocorreu apenas nos vídeos de bocejo; não se verificou nas outras fases; não se trata de imitação consciente, apenas de associação observada entre comportamento materno e resposta fetal.
- Possíveis mecanismos propostos incluem alterações mecânicas no útero ou sinais químicos compartilhados entre mãe e feto; não há comprovação de causalidade, apenas associação.
Um estudo conduzido na Itália analisou se o bocejo materno pode influenciar fetos ainda dentro do útero. Pesquisadores observaram 38 gestantes de 28 a 32 semanas em sessões de meia hora, em ambiente controlado, com ultrassom durante vídeos de bocejo, abertura de boca e rostos neutros.
As participantes assistiram a três tipos de vídeos: bocejando, apenas abrindo e fechando a boca, e rostos imóveis. Enquanto isso, a câmera registrava as expressões das mães e o ultrassom acompanhava os movimentos fetais em tempo real.
Três especialistas, sem saber qual vídeo cada mulher assistia, analisaram as gravações para evitar vieses. Além disso, utilizaram a inteligência artificial DeepLabCut para acompanhar movimentos labiais e faciais dos fetos.
Resultados, publicados na Current Biology, mostraram que 64% das mães bocejaram durante a projeção do vídeo. Em cerca de 90 segundos, pouco mais da metade dos fetos reagiu com movimentos semelhantes.
O efeito não apareceu nas etapas em que as participantes apenas mexiam a boca ou viam rostos neutros. Os pesquisadores destacam que a associação entre comportamento materno e resposta fetal é observacional, não prova causalidade.
Resultados do estudo
A pesquisa sugere sincronização entre gestante e feto durante o bocejo, com padrões de abertura da boca e duração do movimento semelhantes aos observados em adultos. Ainda não há confirmação de mecanismo definitivo.
Possíveis mecanismos
Os autores levantam hipóteses: mudanças mecânicas no corpo da mãe poderiam estimular o feto; alterações hormonais e sinais químicos compartilhados entre mãe e bebê também podem influenciar a resposta fetal. Mais estudos são necessários para esclarecer as causas.
Os pesquisadores ressaltam que o feto não está consciente ou praticando empatia; a interação pode ocorrer por alterações físicas ou químicas compartilhadas durante a gravidez, configurando uma possível sincronização biológica.
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