Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

IBGE apresenta mapa-mundo de Márcio Pochmann

Mapa-múndi invertido do IBGE coloca Brasil no centro com escala simplificada, levantando dúvidas sobre a representatividade da biodiversidade

O presidente do IBGE, Marcio Pochmann (à direita, de paletó cinza e sem gravata), segura o novo mapa-múndi "descolonizado" produzido pelo instituto. (Foto: Thiago Antunes / IBGE)
0:00
Carregando...
0:00
  • O IBGE lançou, neste mês, um novo mapa-múndi para celebrar seus 90 anos, com a representação “Riqueza de Espécies 2025”.
  • O mapa inverte o eixo norte-sul e coloca o Brasil no centro, alegando desafiar visão eurocêntrica e ampliar o debate sobre poder no planeta.
  • A principal crítica envolve a escala utilizada, que vai de baixo a alto (vermelho a verde) e não oferece informações de intensidade de biodiversidade, dificultando a leitura dos dados.
  • O IBGE afirma ter usado dados de várias fontes, incluindo a União Internacional para Conservação da Natureza, e adotou uma grade de 100 quilômetros quadrados por célula; verde mais intenso indica maior diversidade.
  • Além disso, houve controvérsias internas, com críticas de sindicatos sobre a distorção da realidade e a possibilidade de encenação simbólica, associadas a mapas com o Brasil no centro.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou um novo mapa-mundi como parte das comemorações dos 90 anos da instituição. A peça, intitulada Riqueza de Espécies 2025, inova ao apresentar o mundo com o Brasil no centro e com o eixo Norte-Sul invertido.

O objetivo é representar a biodiversidade global por meio de uma escala simples, de baixo a alto, em tons de vermelho a verde. Segundo o IBGE, a inversão do eixo é uma forma de questionar visões eurocêntricas e reposicionar o país no debate sobre poder no planeta.

O mapa usa dados de várias fontes para estimar a riqueza de espécies de anfíbios, aves, mamíferos, répteis, crustáceos e peixes de água doce. A metodologia, porém, não foi detalhada de forma completa pelo instituto.

Controvérsia sobre escala e leitura do mapa

A peça apresenta uma grade com células de 100 km² para o conjunto de dados da International Union for Conservation of Nature. Cores vermelhas indicam valores baixos, verdes mostram valores elevados, sem indicar números específicos por célula.

A Gazeta do Povo questionou o método, solicitando informações sobre a quantificação da biodiversidade. A assessoria de imprensa respondeu apenas que a escala foi escolhida para facilitar a compreensão do público leigo.

Em nota, o IBGE confirmou a divisão da grade em células de 100 km² e explicou que o verde intenso representa concentrações elevadas de espécies por área. Também informou que muitas pessoas podem não interpretar intermediários de cor como dados numéricos precisos.

Reação e ambiguidades

O órgão informou que a divulgação ocorreu por meio de imagem publicada pelo presidente do IBGE, que mostrou a palavra latina lorem ipsum ao lado de uma região africana. Segundo a assessoria, isso decorreu de um provável erro de geração ou inserção da imagem, não de conteúdo final.

A assessoria destacou que as versões oficiais da arte não contêm esse texto. Mesmo assim, a divulgação gerou questionamentos sobre o estágio de finalização do produto gráfico.

Proposta de projeção Equal Earth

A nova representação do globo utiliza a projeção Equal Earth, divulgada como mais fiel às áreas reais dos continentes. O IBGE afirma que a proposta favorece uma visão mais justa e menos eurocêntrica, servindo como ferramenta pedagógica.

O mapa foi criado para manter a relação de áreas entre continentes sem distorções perceptíveis, segundo a instituição. A equipe de criação cita início de divulgação em 2018 e a adoção desta abordagem como forma de oferecer uma leitura mais equilibrada do planeta.

Histórico de críticas internas

O lançamento anterior, em 2024, colocou o Brasil no centro do mapa pela primeira vez durante a presidência brasileira no G20. Em 2025, a COP30 ampliou o ciclo de apresentação, mas gerou críticas internas ligadas à distorção da realidade e à representação simbólica.

Entidades sindicais de servidores descreveram o mapa como uma encenação simbólica sem respaldo nas convenções cartográficas, temendo prejuízos à credibilidade do IBGE. As críticas sinalizam tensão entre inovação visual e rigor técnico.

O que resta explicar

A publicação levantou questões sobre a clareza de números e a comunicação de dados. Sem números explícitos a respeito de quantas espécies, por exemplo, estão associadas a cada cor, a interpretação fica a cargo do espectador.

O IBGE afirma que o objetivo é facilitar o entendimento público, sem abandonar a função educativa. A instituição ressalta que futuras edições podem incluir dados mais detalhados para complementar a leitura da obra.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais