- O IBGE lançou, neste mês, um novo mapa-múndi para celebrar seus 90 anos, com a representação “Riqueza de Espécies 2025”.
- O mapa inverte o eixo norte-sul e coloca o Brasil no centro, alegando desafiar visão eurocêntrica e ampliar o debate sobre poder no planeta.
- A principal crítica envolve a escala utilizada, que vai de baixo a alto (vermelho a verde) e não oferece informações de intensidade de biodiversidade, dificultando a leitura dos dados.
- O IBGE afirma ter usado dados de várias fontes, incluindo a União Internacional para Conservação da Natureza, e adotou uma grade de 100 quilômetros quadrados por célula; verde mais intenso indica maior diversidade.
- Além disso, houve controvérsias internas, com críticas de sindicatos sobre a distorção da realidade e a possibilidade de encenação simbólica, associadas a mapas com o Brasil no centro.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou um novo mapa-mundi como parte das comemorações dos 90 anos da instituição. A peça, intitulada Riqueza de Espécies 2025, inova ao apresentar o mundo com o Brasil no centro e com o eixo Norte-Sul invertido.
O objetivo é representar a biodiversidade global por meio de uma escala simples, de baixo a alto, em tons de vermelho a verde. Segundo o IBGE, a inversão do eixo é uma forma de questionar visões eurocêntricas e reposicionar o país no debate sobre poder no planeta.
O mapa usa dados de várias fontes para estimar a riqueza de espécies de anfíbios, aves, mamíferos, répteis, crustáceos e peixes de água doce. A metodologia, porém, não foi detalhada de forma completa pelo instituto.
Controvérsia sobre escala e leitura do mapa
A peça apresenta uma grade com células de 100 km² para o conjunto de dados da International Union for Conservation of Nature. Cores vermelhas indicam valores baixos, verdes mostram valores elevados, sem indicar números específicos por célula.
A Gazeta do Povo questionou o método, solicitando informações sobre a quantificação da biodiversidade. A assessoria de imprensa respondeu apenas que a escala foi escolhida para facilitar a compreensão do público leigo.
Em nota, o IBGE confirmou a divisão da grade em células de 100 km² e explicou que o verde intenso representa concentrações elevadas de espécies por área. Também informou que muitas pessoas podem não interpretar intermediários de cor como dados numéricos precisos.
Reação e ambiguidades
O órgão informou que a divulgação ocorreu por meio de imagem publicada pelo presidente do IBGE, que mostrou a palavra latina lorem ipsum ao lado de uma região africana. Segundo a assessoria, isso decorreu de um provável erro de geração ou inserção da imagem, não de conteúdo final.
A assessoria destacou que as versões oficiais da arte não contêm esse texto. Mesmo assim, a divulgação gerou questionamentos sobre o estágio de finalização do produto gráfico.
Proposta de projeção Equal Earth
A nova representação do globo utiliza a projeção Equal Earth, divulgada como mais fiel às áreas reais dos continentes. O IBGE afirma que a proposta favorece uma visão mais justa e menos eurocêntrica, servindo como ferramenta pedagógica.
O mapa foi criado para manter a relação de áreas entre continentes sem distorções perceptíveis, segundo a instituição. A equipe de criação cita início de divulgação em 2018 e a adoção desta abordagem como forma de oferecer uma leitura mais equilibrada do planeta.
Histórico de críticas internas
O lançamento anterior, em 2024, colocou o Brasil no centro do mapa pela primeira vez durante a presidência brasileira no G20. Em 2025, a COP30 ampliou o ciclo de apresentação, mas gerou críticas internas ligadas à distorção da realidade e à representação simbólica.
Entidades sindicais de servidores descreveram o mapa como uma encenação simbólica sem respaldo nas convenções cartográficas, temendo prejuízos à credibilidade do IBGE. As críticas sinalizam tensão entre inovação visual e rigor técnico.
O que resta explicar
A publicação levantou questões sobre a clareza de números e a comunicação de dados. Sem números explícitos a respeito de quantas espécies, por exemplo, estão associadas a cada cor, a interpretação fica a cargo do espectador.
O IBGE afirma que o objetivo é facilitar o entendimento público, sem abandonar a função educativa. A instituição ressalta que futuras edições podem incluir dados mais detalhados para complementar a leitura da obra.
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