- A condição conhecida como SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos) foi renomeada para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), com decisão de 56 organizações internacionais.
- A mudança, publicada na The Lancet e anunciada no Congresso Europeu de Endocrinologia, levou 14 anos de debate e agora terá período de transição até 2028.
- A nova nomenclatura inclui os aspectos metabólicos e hormonais da doença, não apenas os ovários, já que 85% das pacientes apresentam resistência à insulina e há risco aumentado de diabetes tipo 2.
- Estima-se que a SOMP afete cerca de 170 milhões de mulheres no mundo, embora a apresentação varie bastante entre pessoas.
- O objetivo é evitar ambiguidades do termo anterior, que poderia sugerir que a condição é apenas ovariana ou apenas envolvendo cistos, dificultando diagnóstico e tratamento.
A condição conhecida desde 1935 como SOP, Síndrome dos Ovários Policísticos, mudou de nome e passa a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, ou SOMP. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (12/05) por um coletivo que envolve 56 organizações de médicos, cientistas e pacientes ao redor do mundo, e publicada na The Lancet.
O anúncio ocorreu no Congresso Europeu de Endocrinologia. O processo de renomeação durou 14 anos de discussão e consenso entre profissionais e pessoas que convivem com a condição. A mudança prevê adoção gradual, com implementação definitiva prevista para 2028.
A SOMP atinge cerca de 170 milhões de mulheres no mundo, equivalente a 1 em cada oito mulheres. A decisão visa melhorar o diagnóstico e o tratamento, refletindo que a doença envolve mais do que apenas alterações ovarianas.
O que é SOMP?
A SOMP resulta de um desequilíbrio hormonal que impacta principalmente androgênios e insulina. A nova nomenclatura expande o foco para também considerar impactos metabólicos e outros eixos hormonais que influenciam a saúde das pacientes.
85% das pessoas com SOMP apresentam resistência à insulina, situação associada a maior risco de diabetes tipo 2. Além disso, desequilíbrios hormonais elevam o risco cardiovascular. A condição apresenta variações entre pacientes, dificultando diagnósticos simples.
A mudança busca evitar ambiguidades associadas ao termo ovários policísticos, que pode sugerir apenas alterações ovarianas mesmo quando outras cadeias hormonais estão envolvidas. A nomenclatura mais ampla facilita a identificação de sinais clínicos e estratégias terapêuticas.
Por que este nome?
O termo antigo não descrevia adequadamente a condição: os chamados cistos nos ovários são, na verdade, folículos antrais, e nem todas as pacientes possuem esses folículos visíveis em exames. Por isso, o novo rótulo evita equívocos e reduz estigmas ligados ao eixo reprodutivo.
A transição envolve mudanças na comunicação entre profissionais de saúde e pacientes, buscando compreensão mais holística da doença. A escolha também considerou impactos culturais e de gênero, evitando termos que reduzem a condição a apenas aspectos reprodutivos.
O que muda na prática?
Pacientes com ciclos menstruais irregulares, dificuldade para engravidar ou acne e pelos excessivos podem manter o diagnóstico sob a nova nomenclatura, que enfatiza o componente metabólico. Médicos devem considerar sinais de resistência à insulina e fatores de risco cardiovascular no manejo.
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