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Produtores de uva na Armênia restauram vinhedos e protegem ecossistemas

Armênia revive tradição vitivinícola milenar com cultivo orgânico para proteger solo e biodiversidade, diante de mudanças climáticas e da phylloxera

Harvesters carry baskets full of grapes at Trinity Canyon Vineyards.
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  • O vinho retorna a Armânia, com vinhedos orgânicos e o resgate de uma tradição antiga, destacando vinícolas como a Trinity Canyon, primeira a receber certificação orgânica internacional em 2016.
  • A indústria vitivinícola armena foi abalada no século XX pelo domínio do brandy, o que comprometeu o cultivo de uvas para vinho e o conhecimento técnico ao longo das décadas.
  • Apesar de manter cultivo orgânico, a Trinity Canyon não renovou o certificado anual por questões de custo e burocracia, mas segue cultivando uvas orgânicas e mantendo práticas para proteger o solo e a biodiversidade.
  • Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciências (NAS RA) estudam variedades nativas de uva desde 2012, coletando e sequenciando milhares de amostras para conservar a diversidade genética em face das mudanças climáticas.
  • Com o aumento de temperatura na região, pesquisadores incentivam a diversidade de variedades e a viticultura em altitudes maiores, além de enfrentar pragas como a phylloxera e a escassez de karas, o que levou à criação de iniciativas de formação e produção de ânforas tradicionais para armazenagem e fermentação.

Em Armenia, a recuperação da tradição vinícola avança com a reintrodução de práticas orgânicas e o resgate de variedades locais. O movimento ganhou força após a redescoberta de vinhedos ancestrais e a revalorização do solo e da biodiversidade. A iniciativa envolve produtores, pesquisadores e organizações locais.

Foi em Vayots Dzor que arqueólogos documentaram, em 2007, uma vinícola antiga com cerca de 6 mil anos, segundo registros científicos. A região tornou-se símbolo da conexão entre história, terroir e preservação ambiental no país.

Trinity Canyon foi o primeiro vinícola da Armênia a obter certificação orgânica internacional em 2016, ainda que a equipe tenha decidido não renovar o selo anualmente pela complexidade do processo. Mesmo assim, a produção continua sob padrões orgânicos.

Para o responsável da vinícola, Parseghyan, o cultivo orgânico não é marketing. O foco é proteger o solo e a biodiversidade local, evitando fertilizantes químicos e pesticidas sempre que possível.

A Armênia encara desafios adicionais. Pesquisadores do NAS RA estudam variedades nativas para conservar o patrimônio genético ante as mudanças climáticas, coletando e sequenciando amostras desde 2012.

A temperatura na região de Vayots Dzor subiu cerca de 1,3 a 1,4 °C no último século, o que pode exigir adaptação de cultivo e maior altitude para vinhedos futuros. A diversidade de uvas é vista como vantagem estratégica.

A equipe liderada por Margaryan ergueu o primeiro vinhedo de alta altitude no país, a 2.080 metros, em parceria com a Maran Winery. Variedades locais mostraram resistência, ao passo que vinhos europeus apresentaram menor desempenho.

O objetivo é entender por que as uvas armênias se adaptam melhor a elevações elevadas e, no futuro, sequenciar seus genomas para detalhar a expressão gênica sob essas condições.

Além das mudanças climáticas, a filoxera, praga que atinge raízes e folhagem, entra no radar de medidas preventivas. Técnicas de irrigação, sistemas sem gotejamento e melhor circulação de ar são discutidas para estender a vida dos vinhedos.

Grandes vinícolas começam a agir sozinhas, assumindo maior controle sobre suas plantações para reduzir dependência de terceiros e manter consistência na produção. A crise de karas, as ânforas de argila tradicionais, também é citada como entrave.

Para contornar a escassez, surge a ideia de criar uma escola de fabricação de karas, gerando uma potencial fonte de turismo ao apresentar o processo aos visitantes e abastecer o mercado com vasos fabricados localmente.

Paralelamente, o setor busca reduzir impactos ambientais. Projetos de mapeamento de vinhedos ajudam a identificar locais, variedades e ambientes de produção, orientando investimentos futuros e políticas de sustentabilidade, sem abandonar técnicas tradicionais.

No conjunto, a revitalização vinícola da Armênia combina memória histórica, inovação tecnológica e estratégias de adaptação climática. O caminho exige coordenação entre produtores, pesquisadores e instituições para manter a tradição sem comprometer o ecossistema.

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