- Síndrome dos Ovários Policísticos foi renomeada para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), publicada na Lancet.
- O consenso global envolveu 56 organizações e coletou mais de 14 mil respostas de diferentes regiões do mundo; o Brasil participou via SBEM, com Poli Mara Spritzer representando o país.
- A mudança replace o termo anterior por refletir que a condição é multifatorial, com mudanças hormonais, metabólicas, dermatológicas e psicológicas, não apenas ovarianas.
- A resistência à insulina está presente em cerca de 85% das pessoas com a síndrome, associando-se a riscos cardiometabólicos e a sintomas como ciclos menstruais irregulares e acne.
- Os critérios diagnósticos permanecem os mesmos, e a transição para o novo nome ocorrerá em três anos, com atualização de prontuários, CID e diretrizes, prevista para 2028.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) ganhou um novo nome: Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A mudança foi publicada nesta terça-feira (12) na Lancet, após consenso internacional que aponta a imprecisão do termo anterior.
A revisão envolveu 56 organizações científicas, clínicas e de pacientes de diversas regiões. Além disso, receberam contribuições de mais de 14 mil respostas em pesquisas globais, assegurando representatividade. O Brasil participou via SBEM.
O país teve a participação da endocrinologista Poli Mara Spritzer, da UFRGS, que integrou o Global Name Change Consortium, grupo responsável pela atualização. O objetivo é refletir melhor a natureza multifacetada da condição.
O problema central da denominação antiga é a palavra policísticos, associando a doença a cistos patológicos. Na prática, muitos relatos descrevem múltiplos folículos sem característica patológica, o que dificultava o entendimento da síndrome.
A nova nomenclatura destaca a atuação de vários hormônios. O termo poliendócrina indica a cooperação entre insulina, androgênios, LH e AMH, conectando a SOMP a riscos metabólicos e cardiovasculares.
A resistência à insulina, presente em cerca de 85% das pessoas com a síndrome, agrava a produção de androgênios e eleva o risco de obesidade, pré-diabetes e diabetes tipo 2. Sintomas comuns incluem ciclos irregulares, acne e excesso de pelos.
A transição para o novo nome será gradual em três anos. Serão atualizados prontuários, classificações da OMS e diretrizes clínicas, com integração prevista para 2028. Materiais educativos também serão reformulados.
Os critérios diagnósticos permanecem inalterados. Adultas precisam de ao menos dois de três fatores: disfunção ovulatória, hiperandrogenismo ou morfologia ovariana compatível. Adolescentes continuam exigindo os três.
O tratamento segue individualizado, mantendo opções como anticoncepcionais, antiandrogênicos, metformina e indução de ovulação. Mudanças no estilo de vida, com dieta e atividade física, continuam fundamentais.
Segundo Spritzer, a mudança pode ampliar a visibilidade da condição em políticas públicas e no financiamento à pesquisa, ainda que o suporte financeiro atual seja insuficiente frente à alta prevalência.
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