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UFPR identifica função da névoa que cobre a Amazônia

Névoa amazônica abriga microrganismos vivos e funciona como ponte de nutrientes, água e carbono; desmatamento e queimadas ameaçam esse ecossistema suspenso

Camada densa de névoa acima da copa das árvores da floresta amazônica (Imagem: Bruna Sebben/ Acervo Pessoal)
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  • Pesquisa da Universidade Federal do Paraná, conduzida pela pesquisadora Bruna Sebben, indica que a névoa sobre as copas da Amazônia abriga fungos e bactérias vivos.
  • A névoa funciona como habitat e meio de transporte de nutrientes atmosféricos, contribuindo para os ciclos naturais de água, carbono e fósforo e para a saúde da vegetação.
  • Cada mililitro de água da névoa pode conter dezenas de milhares de células microscópicas que permanecem ativas durante o transporte.
  • A neblina atua como ponte biológica, levando microrganismos da atmosfera até as folhas, galhos e superfícies vegetais.
  • O desmatamento e as queimadas ameaçam esse equilíbrio, reduzindo a umidade e enfraquecendo a formação da neblina.

A névoa que cobre a Amazônia deixou de ser apenas um espetáculo visual. Um estudo da UFPR, liderado pela pesquisadora Bruna Sebben, mostrou que a neblina funciona como habitat e meio de transporte para microrganismos vivos. O trabalho foi desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da universidade e contou com orientação do professor Ricardo Godoi, do LabAir.

O estudo, divulgado no periódico Communications Earth & Environment, analisa a formação e a função da névoa entre a madrugada e o início da manhã. A condensação acontece pela combinação do resfriamento do ar com a alta umidade gerada pela floresta, gerando uma camada densa sobre a vegetação amazônica.

Entre as descobertas estão a presença de fungos e bactérias vivos na neblina, o transporte de nutrientes pela atmosfera e a participação nos ciclos de água, carbono e fósforo. A pesquisa aponta ainda relação direta entre a saúde da vegetação e a sensibilidade do fenômeno ao desmatamento.

A análise mostrou que cada mililitro de água da névoa pode abrigar dezenas de milhares de células microscópicas. Esses microrganismos permanecem ativos durante o transporte, transformando a neblina em um ecossistema suspenso sobre a floresta.

Principais achados

A pesquisa identificou bactérias ligadas à decomposição da matéria orgânica e à fertilidade do solo, além de fungos relevantes para os ciclos biogeoquímicos da região. A neblina, portanto, atua como ponte biológica entre atmosfera e folhas.

Outro ponto: os microrganismos ajudam a condensar a umidade, contribuindo para a manutenção do nevoeiro. O efeito é um ciclo de mão dupla, em que a névoa protege os microrganismos e estes, por sua vez, ajudam a sustentar o fenômeno.

Desmatamento e queimadas

Especialistas destacam que o avanço do desmatamento e das queimadas pode romper esse equilíbrio. A redução da cobertura florestal diminui a umidade local e enfraquece a formação da névoa, impactando a dinâmica ecológica estudada.

A pesquisa reforça a ideia de que a Amazônia depende de mecanismos complexos e ainda pouco conhecidos pela ciência, cuja preservação se revela fundamental para a manutenção dos seus ciclos naturais.

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