- Valerie Fridland, professora de linguística, lança o livro Why We Talk Funny, que analisa como os sotaques influenciam a forma como reconhecemos os outros.
- Pesquisas indicam que crianças de cinco a seis anos escolhem amigos com sotaque mais parecido com o local, mesmo em ambientes com grande diversidade de falas.
- Sotaques alimentam estereótipos de classe, etnia e região, impactando entrevistas de emprego, percepções sobre políticos e até decisões de jurados.
- A autora ressalta raízes históricas dos sotaques e explica diferenças entre inglês americano (rhótico) e inglês britânico, além de fenômenos como o “shibboleth”.
- Existem caminhos para reduzir os danos dos vieses, como reconhecer preconceitos, instruções a júri e foco nas habilidades da pessoa, já que mudanças de sotaque são desafiadoras na vida adulta.
Valerie Fridland, professora de linguística da Universidade de Nevada, Reno, lança o livro Why We Talk Funny: the Real Story Behind Our Accents, explorando o poder dos sotaques na percepção social. A autora, criada em Memphis por pais francófonos, aponta que as pessoas usam a forma de falar para classificar os outros.
O trabalho destaca que crianças pequenas costumam preferir amigos que compartilham o sotaque, influenciando relações desde cedo. Estudos citados mostram que crianças de cinco a seis anos escolhem amigos com sotaque local em vez de estrangeiro, mesmo em ambientes com grande diversidade linguística.
Fridland analisa como julgamentos baseados em sotaques alimentam estereótipos de classe, etnia e região, afetando situações como entrevistas de emprego e julgamentos. Ela observa que sotaques podem influenciar a percepção de capacidade e de alinhamento político.
A pesquisadora, que cresceu no sul dos EUA, destaca que o sotaque tem raízes históricas. Em alguns casos, mudanças na pronúncia ocorreram após períodos de transformação social, como a redução do som do R em certos dialetos britânicos.
O estudo também discute dificuldades de aprender novos sotaques ou línguas, pois ajustar a prosódia e sons específicos exige prática e audição detalhada. Exemplos incluem sons pouco comuns para falantes nativos de inglês ou estruturas de acentuação distintas em línguas como o mandarim.
Além disso, o texto ressalta que mudanças de sotaque ocorrem com a convivência prolongada em uma região, gerando um dialeto híbrido. O fenômeno, conhecido como acomodação de fala, tende a aproximar o falante dos padrões locais sem reproduzi-los fielmente.
Historicamente, o livro cita casos em que sotaques impactaram decisões judiciais, com acusações de credibilidade atreladas ao modo de falar. Em estudos recentes realizados no Reino Unido, pesquisadores mostram que sotaques operacionais podem influenciar suposições de culpa entre jurados.
Para reduzir impactos negativos, o livro sugere reconhecer vieses e adotar instruções que enfatizem competências e desempenho, em vez de linguagem, em ambientes de seleção e júri. A autora defende que ouvir de forma mais atenta ajuda a mitigar preconceitos.
Em tom conclusivo, Fridland afirma que o jeito de falar nasce de uma experiência humana compartilhada. A comunicação correta depende de ouvir com atenção, compreender diferenças culturais e valorizar a capacidade de aprender.
Além disso, o estudo destaca que a fala é moldada por uma trajetória histórica complexa, que envolve tanto processos individuais quanto dinâmicas sociais amplas. O objetivo é promover uma leitura mais equilibrada e menos preconceituosa sobre sotaques.
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