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Escrita à mão retorna como prática de saúde mental

Escrita à mão ressurge entre adultos brasileiros, associada a ganhos cognitivos e emocionais, em meio à hiperconectividade, com cadernos com cadeado ganhando espaço

Foto: Imagem gerada com o ChatGPT. / DINO
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  • Brasileiros passam em média 9 horas e 13 minutos por dia online, segundo o Data Reportal, ficando em segundo lugar no mundo pelo tempo de uso da internet.
  • A prática de escrever à mão ganha espaço entre adultos, apoiada por estudos que associam a escrita manual a ganhos cognitivos e emocionais.
  • Pesquisa da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia com 36 universitários mostrou que a escrita manual ativa redes neurais de forma mais elaborada que a digitação, com oscilações alfa e teta ligadas ao aprendizado presentes durante a escrita.
  • Estudos sobre escrita expressiva apontam queda de ansiedade e estresse, melhoria da memória e bem‑estar, ao registrar pensamentos e emoções no papel.
  • A Lumai criou cadernos com cadeado para unir privacidade e escrita manual, buscando estimular o retorno ao papel sem abrir mão da segurança.

A escrita à mão volta a ganhar espaço entre adultos em meio à hiperconectividade. Dados indicam que o brasileiro passa cerca de 9 horas e 13 minutos diários na internet, tempo que estimula o retorno a práticas analógicas apoiadas por pesquisas sobre saúde mental e cognição.

Pesquisadores da NTNU, na Noruega, acompanharam 36 universitários em tarefas de escrita e digitação com monitoramento cerebral. Os resultados mostraram redes neurais mais ativadas durante a escrita manual, com padrões de conectividade ligados à formação de memória e codificação de novas informações.

A pesquisa revelou ainda presença das ondas alfa e teta associadas ao aprendizado durante a escrita, o que não ocorreu na digitação. Esses achados fortalecem a ideia de que registrar conteúdos em papel envolve processos cerebrais diferentes dos da tela.

A prática de escrita expressiva, que registra pensamentos e emoções, já era estudada desde os anos 1980. Estudos citados em revisões científicas indicam que dedicar 15 a 20 minutos diários a esse registro pode reduzir ansiedade e estresse, ao externalizar preocupações.

A enfermagem da saúde mental também destaca benefícios da escrita terapêutica. Pesquisas associam a prática a menor necessidade de visitas médicas relacionadas ao estresse, além de melhoria no humor, memória e bem-estar psicológico, com ativação do córtex pré-frontal e redução da atividade da amígdala.

Entre adultos, a adesão à escrita manual enfrenta a percepção de que o papel não é seguro frente às soluções digitais. Aplicativos oferecem senha, biometria e criptografia, algo que o caderno comum não possui, o que explica migração para o digital em parte dos registros pessoais.

Para atender a essa demanda, a Lumai lançou uma linha de cadernos com cadeado. A iniciativa busca resgatar a privacidade e incentivar a prática de escrever sem abrir mão da confidencialidade. O fundador, Lucas Maia, afirma que o cadeado devolve a sensação de proteção que encoraja a escrita honesta.

Segundo Maia, a privacidade é o ponto central para que o processo criativo funcione. O objetivo é facilitar a organização do pensamento, a regulação emocional e a melhoria da memória por meio de um suporte tradicional, sem abrir mão da segurança.

A proposta da empresa não substitui a tecnologia, mas busca equilíbrio entre analógico e digital. Em um momento em que bem-estar digital ganha espaço, as práticas de desconexão intencional aparecem como parte de uma rotina mais consciente.

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