- Estudos SURMOUNT-MAINTAIN e ATTAIN-MAINTAIN, apresentados no Congresso Europeu de Obesidade, exploram manter a perda de peso após fase inicial com canetas emagrecedoras, inclusive com doses menores ou medicamentos orais.
- No SURMOUNT-MAINTAIN, 60 semanas de tirzepatida foram seguidas por grupos com dose máxima, 5 mg semanais ou placebo por 52 semanas; a dose alta manteve toda a perda de peso, enquanto 5 mg preservou boa parte, com média de recuperação de 5,6 kg.
- No ATTAIN-MAINTAIN, participantes que empregaram semaglutida ou tirzepatida após um platô foram divididos para receber orforglipron (compressa diária) ou placebo; quem veio de semaglutida manteve quase todo o peso perdido (recuperação média de 0,9 kg), enquanto quem veio de tirzepatida recuperou em média 5 kg. O oral foi superior ao placebo na manutenção.
- A lição é que manter o tratamento, em formato ou dose diferente, pode ser crucial para evitar o reganho, embora nem sempre o mesmo efeito se repita para todos; é necessário monitorar efeitos gastrointestinais.
- No Brasil, a discussão é relevante pela escalada da obesidade e pelo acesso restrito a terapias modernas; esquemas de manutenção mais flexíveis podem aproximar o tratamento de doenças crônicas e reduzir o efeito sanfona.
O Congresso Europeu de Obesidade trouxe dados sobre estratégias de manutenção do peso perdido. Pesquisas indicam que manter a perda pode depender de continuidade de tratamento, mesmo com dose reduzida ou com medicamentos orais após a fase inicial com canetas.
Os estudos SURMOUNT-MAINTAIN e ATTAIN-MAINTAIN avaliaram se pacientes com obesidade ou sobrepeso com comorbidades conseguem sustentar resultados depois da fase de perda de peso. As pesquisas foram publicadas em revistas conceituadas, The Lancet e Nature Medicine.
SURMOUNT-MAINTAIN: manutenção com dose menor após fase inicial
Participantes passaram 60 semanas usando tirzepatida, conhecida como Zepbound ou Mounjaro, na dose máxima tolerada. Aqueles que perderam pelo menos 5% do peso foram divididos em grupos: dose máxima, dose de 5 mg semanal e placebo por 52 semanas.
Quem manteve a dose máxima preservou a perda de peso inicial ao longo do acompanhamento. Já o grupo com 5 mg reteve parte do ganho, com recuperação média de 5,6 kg. A implicação é que doses reduzidas podem oferecer proteção significativa contra reganho, nem sempre equivalentes à dose alta.
ATTAIN-MAINTAIN: passagem de injetável para oral
Neste estudo, participantes vieram de tratamentos com semaglutida ou tirzepatida em doses altas. Foram randomizados para receber orforglipron, comprimido diário de GLP-1, ou placebo.
Entre os que usaram semaglutida, a troca para o comprimido manteve quase todo o peso perdido, com recuperação média de 0,9 kg em um ano. Entre os que vinham da tirzepatida, a recuperação atingiu 5 kg. Em ambos os cenários, o comprimido teve desempenho superior ao placebo.
Lições para a manutenção do emagrecimento
A leitura principal não é que todos possam emagrecer com uma injeção e migrar para pílula sem riscos. Os dados sugerem que a manutenção, mesmo em formato diferente ou com dose menor, pode ser crucial para preservar resultados.
A segurança também merece atenção. Eventos adversos comuns incluíram gastrointestinais como náusea, diarreia, vômitos e constipação, variando conforme o medicamento. A monitorização médica é fundamental em tratamentos prolongados.
Implicações para o Brasil
A discussão ganha relevância no Brasil, onde a obesidade cresce e o acesso a terapias modernas é ainda limitado. Preços, efeitos colaterais e acompanhamento influenciam a continuidade do tratamento. Schemas de manutenção mais flexíveis podem aproximar o tratamento de outras doenças crônicas.
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