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Estudo global aponta variação na obesidade e crítica ao termo epidemia

Estudo global aponta variações nas tendências de obesidade desde 1980, questionando a ideia de epidemia e destacando fatores sociais e regionais

Obesidade cresce rapidamente nos países de baixa e média renda, impulsionada por fatores sociais, econômicos e tecnológicos, e com efeitos mínimos do uso de canetas emagrecedoras
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  • Estudo da colaboração NCD Risk Factor Collaboration analisou obesidade de 1980 a 2024 em 197 países, com dados de 232 milhões de pessoas.
  • As tendências são diversas conforme idade, sexo e país: desaceleração em muitos países ricos e aceleração em países pobres; não há uma epidemia global única.
  • Em regiões de renda elevada, a obesidade se estabilizou em muitos casos, variando entre faixas de prevalência; nos EUA a obesidade se manteve em níveis altas.
  • No Sul Global, a obesidade continua aumentando, com velocidade maior em 2024 para meninas em 110 países e para meninos em 91 países; entre adultos, aumentos relevantes para mulheres em 84 países e homens em 109.
  • Medicamentos à base de GLP-1 tiveram efeito mínimo até agora por cobertura baixa; fatores sociais, econômicos e culturais são considerados determinantes importantes das diferenças observadas.

O estudo global, divulgado pela revista Nature, analisa a obesidade entre 1980 e 2024 em 197 países, com dados de 232 milhões de pessoas. A análise revela variações significativas entre regiões, idades e gêneros, desafiando a ideia de uma epidemia única.

A pesquisa compilou 4050 estudos de base populacional, ajustando por idade e ambiente urbano ou rural. A definição envolve IMC ≥ 30 kg/m² para adultos e peso acima de dois desvios padrão para crianças e jovens, segundo a OMS.

Os pesquisadores destacam que fatores sociais, econômicos e tecnológicos moldam as mudanças, ainda que ocorram em ritmos opostos entre países de renda diferente. Disse a equipe que a ideia de epidemia não captura a complexidade regional.

Desaceleração em países ricos, aceleração em nações pobres

A maioria dos países de alta renda mostrou desaceleração ou estabilização da obesidade desde a década de 1990, com variações entre faixas etárias e sexos. Em alguns, a curva já se mantém estável há décadas.

Em países de baixa e média renda, a obesidade avança de forma mais rápida, especialmente entre meninas em diversas regiões. A tendência é associada a mudanças econômicas, urbanização e padrões alimentares crescentes.

No Brasil, o estudo aponta aumento mais acentuado entre homens, com variação regional e por idade. Autores destacam que as diferenças por gênero merecem investigação adicional para entender os mecanismos subjacentes.

Implicações para políticas públicas e uso de tratamentos

A pesquisa ressalta que políticas voltadas para acesso a alimentos saudáveis ainda são limitadas em muitos países em desenvolvimento. O papel de intervenções regulatórias permanece central para frear o impulso da obesidade.

Medicações como GLP-1 ainda apresentam efeito modesto sobre as tendências atuais devido à cobertura histórica restrita. O estudo aponta necessidade de estratégias abrangentes que conectem nutrição, atividade física e contextos sociais.

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