- O radiotelescópio China-Argentina, em El Leoncito, San Juan, está paralisado; a obra tinha investimento de 32 milhões de dólares e peças ainda ficam retidas na alfândega de Buenos Aires.
- A estrutura pretendia ter quarenta metros de diâmetro e seria o maior radiotelescópio do tipo na América do Sul, visando observar áreas do céu do hemisfério sul.
- Segundo o The New York Times, as peças restantes estavam retidas desde 3 de setembro de 2024, com relatos de entre cinquenta e noventa por cento da montagem já concluída.
- A interrupção da obra é associada a tensões entre Washington e Pequim, com autoridades argentinas mencionando alinhamento do governo com os Estados Unidos para conter projetos chineses no país.
- No Chile, outro projeto apoiado pela China também tem enfrentado entraves, refletindo um ambiente diplomático regional cada vez mais contencioso em torno de iniciativas científicas ligadas à China.
O Radiotelescópio China-Argentino (CART) permanece paralisado na Argentina. A construção, iniciada há cerca de 15 anos, foi interrompida em meio a tensões entre Estados Unidos e China. O projeto fica em El Leoncito, na província de San Juan, sem conclusão e com partes retidas na alfândega de Buenos Aires.
Os operários chineses deixaram para trás itens simples como palitos e latas de molho de ostras, segundo apurado pelo The New York Times. A estrutura, de 40 metros de diâmetro, deveria tornar-se o maior radiotelescópio da América do Sul.
Contexto político e técnico
A paralisação coincidiu com aumento de atritos político-econômicos entre Washington e Pequim. Cientistas locais descrevem o CART como crucial para observar o núcleo galáctico, mapear galáxias distantes e rastrear pulsares, em parceria com mais de cem radiotelescópios globais.
O projeto foi financiado com cerca de 32 milhões de dólares, em cooperação entre a Universidade Nacional de San Juan e o Observatório Astronômico Nacional da China. Peças e receptores ficam retidos desde 3 de setembro de 2024.
Conduta e avanços técnicos
Relatos indicam que o telescope já estaria entre 50% e 90% concluído em diferentes momentos, com montagem adiantada antes da interrupção. Responsáveis afirmam que a obra correu perto de concluir, mas ficou suspensa por decisões administrativas.
A infraestrutura natural do local é favorável a observações: céus claros, baixa umidade e pouca interferência eletromagnética. A localização sul-hemisférica permitiria acompanhar regiões do céu não visíveis da China.
Implicações diplomáticas
Autoridades norte-americanas mantêm posicionamento de cautela quanto à presença de infraestrutura chinesa na região. Em relatos, Washington argumenta preocupações com uso dual de instalações espaciais, mesmo após aprovações técnicas anteriores.
Cientistas argentinos destacam que o CART, em tese, não envolve transmissores que caracterizariam uso militar. Eles ressaltam barreiras naturais que dificultariam qualquer aplicação estratégica para vigilância.
Comparativo regional
No Chile, projeto semelhante conduzido com participação chinesa também enfrentou entraves. Autoridades locais indicaram restrições de acesso e divergências sobre acordos internacionais, refletindo uma postura mais ampla de escrutínio externo.
Em ambos os casos, as disputas políticas influenciam decisões técnicas e o andamento de obras de pesquisa. As autoridades argentinas mantêm o CART em suspensão, com peças retidas, enquanto o futuro do radiotelescópio permanece incerto.
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