- Em live no YouTube na terça-feira, 13, a startup Figure AI mostrou robôs humanoides operando um turno de oito horas de forma autônoma em tarefas de logística e armazém.
- O sistema Helix-02 integra visão computacional, tato e controle corporal em uma rede neural única, com camadas S2 (planejamento), S1 (comandos) e S0 (equilíbrio).
- A demonstração busca provar que máquinas já podem substituir parte do trabalho repetitivo em centros logísticos, fábricas e operações de distribuição de comércio eletrônico.
- Estima-se que existam entre quinze milhões e vinte milhões de trabalhadores globais nessas funções, envolvendo operadores de esteira, separadores de pedidos e embaladores.
- A Figure informou ter aumentado a produção de robôs para mais de trezentos e cinquenta unidades, sinalizando intento de escala industrial no mercado de automação com IA.
A startup americana Figure AI, com base na Califórnia, realizou uma transmissão ao vivo nesta terça-feira (13) para demonstrar o uso de robôs humanoides na automação industrial. Na direção da live, robôs Figure 03 executaram um turno completo de 8 horas sem intervenção humana.
O experimento utilizou o sistema Helix-02, uma arquitetura de IA que integra visão, tato e controle corporal em uma única rede neural. A demonstração vai além de movimentos simples, buscando provar que máquinas podem substituir parte do trabalho repetitivo em centros logísticos, fábricas e operações de distribuição.
A Figura afirma ter aumentado a produção de robôs de 1 por dia para 1 por hora em menos de quatro meses, com mais de 350 unidades fabricadas pela fábrica BotQ. A meta é avançar da fase experimental para a escala industrial, reforçando a viabilidade da solução.
Contexto do setor
O setor de logística tornou-se um laboratório para automação, dada a natureza repetitiva das tarefas. A Amazon é referência nesse movimento, empregando cerca de 1,58 milhão de pessoas globalmente, com grande parte em armazéns.
No Brasil, a Amazon mantém mais de 250 centros logísticos e mais de 36 mil profissionais diretos e indiretos. Outros players de comércio eletrônico, como Mercado Livre, Shopee e Magalu, expandem suas operações logísticas.
O uso de automação em armazéns envolve redes de empacotamento, separação de pedidos e armazenamento. Grandes operadores têm investido em sistemas automáticos para reduzir o trabalho manual e otimizar a operação.
Perspectivas e cautelas
O experimento da Figure não comprova a viabilidade econômica em larga escala ainda. A iniciativa, no entanto, evidencia a tendência de IA física aplicada a trabalhos de baixa qualificiação.
Empresas como Tesla, Agility Robotics, Apptronik e Sanctuary AI também atuam no mercado de robôs humanoides para operação industrial. A corrida tecnológica envolve desenvolvimento de IA, sensores e coordenação motora em ambientes reais.
A demonstração reforça o debate sobre substituição de empregos em centros de distribuição. Estimativas apontam entre 15 milhões e 20 milhões de trabalhadores globais em funções ligadas à movimentação de produtos.
Observações finais
A reportagem consultou fontes da indústria para contextualizar a expansão de projetos de automação. Não há conclusão sobre custos, retorno financeiro ou adoção em larga escala no momento. As informações são técnicas e operacionais, sem avaliações subjetivas.
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