- Pesquisadores identificaram rêmoras entrando na cloaca de raias-manta, em estudo publicado em 11 de maio na revista Ecology and Evolution.
- O registro mostra uma rêmora comum inserindo-se total ou parcialmente na cloaca de uma raia-manta-do-atlântico (Mobula yarae); em alguns casos apenas a cauda fica visível.
- Em uma observação, um mergulhador percebeu a aproximação da rêmora, que rapidamente se posicionou perto das nadadeiras e entrou na abertura cloacal da raia-manta.
- A situação levanta a possibilidade de que a relação entre rêmoras e hospedeiros não seja apenas mutualística ou comensal, podendo haver parasitismo dependendo do contexto.
- Especialistas afirmam que esse comportamento pode exigir uma reavaliação das relações simbióticas entre rêmoras e animais marinhos, com mais estudos para entender impactos na energia, no desconforto e na reprodução das raias.
Um estudo publicado em 11 de maio na revista Ecology and Evolution descreve um comportamento inusitado no oceano: rêmoras entrando na cloaca de raias-manta, abrindo questionamentos sobre a natureza da relação entre as espécies.
Pesquisadores registraram imagens de rêmoras, conhecidas por “pegar carona” em animais maiores, inserindo-se total ou parcialmente no orifício cloacal de raias-manta. Em alguns casos, apenas a cauda ficou visível. O episódio foi observado durante mergulho com uma raia-manta-do-atlântico na Flórida, nos Estados Unidos, em outubro de 2025.
O estudo detalha que as rêmoras costumam fixar-se ao hospedeiro graças a uma ventosa na cabeça, o que facilita deslocamentos e acesso a alimento, além de oferecimentos de proteção contra predadores. No entanto, a nova ocorrência sugere uma variação potencial na relação, que pode incluir desconforto ou esforço adicional para a raia.
A descrição do comportamento gerou debates entre especialistas sobre como classificar essa interação. Até então, a convivência era associada ao mutualismo ou comensalismo, com a ideia de benefícios para o hospedeiro, como remoção de parasitas. Pesquisas recentes já indicavam que a presença de rêmoras pode aumentar o arrasto e exigir mais energia dos animais.
A pesquisadora Emily Yeager, da Universidade de Miami, aponta que relações simbióticas não se prendem a categorias fixas. Ela ressalta que vínculos ecológicos variam ao longo de um espectro de benefícios e prejuízos para cada espécie, dependendo do contexto e do comportamento observado.
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