- A Fossa das Marianas atinge 10.984 metros de profundidade no Pacífico, ponto mais profundo da Terra, capaz de engolir o Everest.
- A pressão total no fundo supera 1.100 vezes a atmosférica, tornando necessário uso de cascos de titânio ou cerâmica e tecnologia de ponta para sobrevivência.
- A área abriga vida sem luz solar, baseada em bactérias quimiossintéticas; foram identificados vírus ainda desconhecidos e diversos animais adaptados à alta pressão.
- Explorações históricas incluem HMS Challenger (1875), Trieste (1960), James Cameron (2012) e expedições recentes com o DSV Limiting Factor; avanços têm expandido o conhecimento do Hadal.
- Lixo humano chegou ao fundo: sacos plásticos e resíduos foram encontrados, evidenciando impacto ambiental mesmo nas regiões mais remotas do oceano.
O Challenger Deep, ponto mais profundo da Terra, fica na Fossa das Marianas, no Pacífico. O abismo atinge 10.984 metros, suficiente para engolir o Monte Everest. Lá, a escuridão é total e a pressão esmagadora desafia qualquer tecnologia.
A região resulta da subducção entre as Placas do Pacífico e das Filipinas, ao longo de 2.540 quilômetros. A crosta oceânica é forçada para baixo, gerando vulcões submarinos e fontes hidrotermais que moldam esse ambiente extremo.
Geologia e profundidade
A pressão no fundo excede 1.100 vezes a atmosférica ao nível do mar. Equivalente ao peso de 50 jatos 747 sobre cada metro quadrado, esse ambiente exige cascos especiais, como estruturas de titânio, para suportar a alongada deformação.
A mudança de tema para a iluminação e as condições ambientais é marcante: a escuridão total permanece a cada 200 metros, impondo soluções tecnológicas robustas de iluminação e isolamento térmico.
Exploração histórica
A exploração começou com o HMS Challenger em 1875, com medições por corda. Em 1960, o batiscafe Trieste, com Don Walsh e Jacques Piccard, fez o primeiro mergulho tripulado. James Cameron desceu sozinho em 2012 a bordo do Deepsea Challenger.
Em 2019, Victor Vescovo atingiu 10.928 metros no Limiting Factor, registrando a maior profundidade já alcançada por mergulhador. Em 2022, Dawn Wright se tornou a primeira cientista negra a visitar o local em uma expedição liderada pela Caladan Oceanic.
Vida e ecossistemas
Durante muito tempo acreditou-se que nada sobrevivia tão profundo. Hoje, bactérias quimiossintéticas alimentam ecossistemas sem luz, extraindo energia da oxidação de metano e amônia. Unicelulares gigantes, anfípodes e pepinos-do-mar vivem ali.
Estudos indicam mais de mil vírus ainda não catalogados na região, mostrando que o ecossistema inclui também entes microscópicos. Peixes-caracol da espécie Pseudoliparis compõem parte da fauna encontrada em profundidades extremas.
Poluição e impactos humanos
Relatórios da NOAA indicam lixo plástico no fundo absoluto da oceanos. Em 2016, pesquisadores detectaram bifenilas policloradas em crustáceos coletados na fossa, evidência de contaminação de resíduos humanos que viajam com correntes e deslizamentos.
Essa presença reforça que atividades humanas afetam até os lugares mais remotos do planeta. O tema exige monitoramento contínuo para entender impactos ambientais e possíveis medidas de mitigação.
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