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Achados negativos reduzem potencial terapêutico de psicodélicos

Resultados negativos em estudos com psilocibina mantêm cautela sobre eficácia antidepressiva e orientam o desenho de futuras pesquisas

Cartaz do documentário 'Medicina Mágica' destaca o pesquisador Robin Carhart-Harris
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  • Dois trabalhos recentes mostraram resultados negativos sobre o uso terapêutico da psilocibina para depressão, questionando a eficácia em termos primários.
  • O estudo alemão com 144 adultos com depressão resistente não atingiu o desfecho primário: redução de pelo menos cinquenta por cento nos escores da escala de Hamilton após seis semanas.
  • Mesmo assim, alguns desfechos secundários, como escores da escala Beck, sugerem potencial terapêutico da psilocibina, conforme já observado em pesquisas anteriores.
  • Um estudo do Imperial College e UCSF, liderado por Balázs Szigeti e publicado no Jama Psychiatry, avaliou comparação entre psicodélicos e antidepressivos ISRSs, destacando dificuldades de cegamento e possibilidade de efeito nocebo.
  • Em comparação com antidepressivos, não houve diferença significativa nos benefícios ao considerar apenas dados de antes e depois, reforçando a necessidade de desenhos de estudo mais rigorosos para confirmar efeitos e segurança.

O que aconteceu: dois estudos recentes sobre psilocibina e depressão, publicados no Jama Psychiatry e no New England Journal of Medicine (NEJM), apresentaram desfechos desfavoráveis ou neutros em relação ao objetivo primário. Ambos avaliam eficácia de terapias psicodélicas frente a antidepressivos tradicionais.

Quem está envolvido: pesquisadores de Imperial College London, Universidade de Oxford? (campanhas de colaboração com UCSF) e equipes lideradas por Balázs Szigeti e Robin Carhart-Harris. Participaram adultos com depressão resistente, em casos avaliados em hospitais universitários.

Quando: os artigos foram divulgados em 2023-2024, com publicação simultânea no Jama Psychiatry e no NEJM. A equipe liderada por Szigeti também publicou estudo complementar na mesma janela temporal.

Onde: centros de pesquisa na Alemanha, Reino Unido e EUA, incluindo hospitais universitários envolvidos nos ensaios clínicos com psilocibina e comparações com antidepressivos.

Por quê: o objetivo foi medir se a psilocibina oferece benefício superior ou equivalente aos ISRSs em depressão resistente, avaliando também a segurança e efeitos colaterais, buscando ampliar opções terapêuticas.

Resultados dos estudos

O estudo alemão Episode, com 144 adultos, comparou psilocibina em várias dosagens a placebo em um ensaio duplo-cego. O desfecho primário, redução de 50% nos escores HAM-D17 em seis semanas, não foi atingido de forma estatisticamente significativa.

Ainda assim, resultados secundários, como a pontuação no questionário Beck, sugeriram potencial terapêutico da psilocibina. Técnicas de avaliação diferentes podem explicar a discrepância entre desfechos primários e secundários.

Desenho e interpretação dos dados

O segundo estudo, envolvendo Balázs Szigeti e membros da UCSF, comparou psicodélicos com estudos de antidepressivos abertos sem placebo. Verificou-se que não há diferença significativa entre as classes quando se comparam escores pré e pós-tratamento.

Autor reconhece que o open label pode inflar efeitos observados. Observa-se também que antidepressivos da classe ISRS apresentam efeitos adversos relevantes e não funcionam para todos os pacientes, abrindo espaço para considerar terapias distintas em regimes esporádicos.

Implicações para a pesquisa

Os estudos ressaltam que a ciência avança com dados negativos tanto quanto com resultados promissores. Desenhos de estudo mais robustos e controles adicionais podem refinar a avaliação da psilocibina como opção terapêutica para depressão resistente.

Balázs Szigeti aponta que, embora os ISRSs também apresentem limitações sem placebo, os psicodélicos exigem observação cautelosa de efeitos adversos e de duração dos benefícios, com foco em uso eventual e benefícios prolongados.

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