- Muara Enggelam, vila isolada em Borneo, passou a ter energia solar instalada de forma mais ampla; hoje a casa 200, com fornecimento 24 horas, sustentando negócios locais.
- Em final de 2024, o governo local acresceu 23,1 kilowatts-peak de capacidade solar, com baterias de lítio, num investimento de 4,5 bilhões de rupias.
- A energia confiável permitiu que mulheres (como Asniah) começassem negócios e que a gestão da vila ampliasse serviços, incluindo banking básico e venda de água potável.
- Dados nacionais mostram avanço da eletrificação no país, mas ainda há 1,4 milhão de pessoas sem energia; a solar representa menos de 1% da geração associada ao diesel.
- O estudo de Celios e Greenpeace aponta queda no número de vilas com uso doméstico de energia solar entre 2021 e 2024 e destaca maior melhoria em áreas urbanas e províncias com investimento.
Muara Enggelam, vila de casas sobre estacas às margens do rio Enggelam, em Borneo, passou décadas à sombra de luzes a diesel. A população enfrentava tarifas elevadas e quedas frequentes de energia, com fornecimento limitado ao anoitecer.
Em 2015, um projeto de energia solar mudou o cenário. A instalação de 30 kWp substituiu parte da geração diesel, ampliando o acesso elétrico para quase 200 domicílios com crescimento gradual nas capacidades.
A comunidade de Muara Enggelam fica na região de Kutai Kartanegara, onde o acesso à eletricidade continua desigual entre áreas urbanas e rurais. A vila tem cerca de 750 moradores, acessível apenas por barco e com deslocamentos longos até a cidade mais próxima.
Energia solar impulsiona negócios locais
Em 2024, uma nova ampliação de 23,1 kWp, com baterias de lítio, elevou a capacidade total para aproximadamente 80 kWp. O investimento público de 4,5 bilhões de rupias reforçou a oferta de energia estável para casas e empreendimentos.
Com a energia disponível o dia todo, Asniah, moradora e mãe de três, iniciou um negócio doméstico de alimentos, expandindo atividades com a eletricidade contínua e acesso a internet. O impacto permitiu ainda o funcionamento de um empreendimento comunitário.
O gerente do empreendimento comunitário (BUMDes) destaca que a energia confiável reduziu o custo com combustível, que antes limitava a abertura de novos negócios. A presença da eletricidade também abriu portas para serviços bancários básicos e venda de água potável.
A jovem de Muara Enggelam planeja ampliar o uso da energia com refrigeradores alimentados por painéis solares, visando ampliar opções para famílias e pescadores. A melhoria energética fortalecerá a atividade econômica local.
Panorama nacional e desafios
Dados do Ministério de Energia indicam aumento da capacidade solar nacional entre 2018 e 2024, mas o ritmo permanece lento. Em 2024, a solar corresponde a menos de 1% da geração frente ao diesel no país.
Relatórios de Celios e Greenpeace apontam atraso na adoção de energia limpa em 84 mil vilarejos, com queda no número de localidades que utilizam soluções solares domésticas entre 2021 e 2024.
O programa Indonesia Terang, lançado em 2017, visa levar eletricidade a comunidades remotas, enquanto a reformulação Merdeka dari Kegelapan reforça o esforço de universalizar o acesso energético em todo o arquipélago.
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