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Lipedema é doença, não biotipo, afirma cirurgiã plástica

Cirurgiã afirma que lipedema é doença e não biotipo, em painel no São Paulo Innovation Week, destacando diagnóstico errôneo e tratamento variável

Embora os primeiros relatos da doença sejam datados dos anos 1940, apenas em 2022 o lipedema passou a ter um código próprio no Cadastro Internacional de Doenças (CID)
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  • Lipedema é descrito como acúmulo simétrico de tecido adiposo na parte inferior do corpo, afetando principalmente glúteos, quadris e pernas, mas pode alcançar membros superiores; tronco, mãos e pés costumam ficar poupados.
  • O tema foi discutido no painel “Além da Estética: As Novas Fronteiras da Cirurgia Plástica na Era da Tecnologia”, durante a São Paulo Innovation Week, na última quinta-feira.
  • A cirurgiã plástica Juliana Tenório classificou o lipedema como doença, não biotipo, destacando o risco de superdiagnóstico por desconhecimento da condição.
  • A gordura associada ao lipedema tem fibroses e nódulos característicos, distinguindo-a da obesidade; tratamento envolve dieta, exercícios, terapia descompressiva, meias compressivas e drenagem linfática.
  • Não há protocolo universal, não há medicamento aprovado e, quando necessário, pode haver indicação de lipoaspiração em áreas afetadas; médicos alertam sobre procedimentos invasivos em casos leves.

O lipedema, condição que envolve acúmulo de tecido adiposo de forma simétrica, afeta principalmente nádegas, quadris e pernas. Médicas ressaltam que o tronco, as mãos e os pés costumam ficar poupados. O tema foi pauta de debate na São Paulo Innovation Week.

Participante do painel Além da Estética, a cirurgiã plástica Juliana Tenório defende que lipedema é uma doença, não um biotipo. Ainda não há consenso entre médicos sobre o diagnóstico, mas há preocupação com o superdiagnóstico.

O evento ocorreu na quinta-feira, 14, durante o festival global de tecnologia promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos. A discussão destacou a necessidade de maior clareza diagnóstica e de tratamentos respaldados por evidências.

Dificuldades de diagnóstico surgem pela escassez de estudos que definam formas padronizadas de identificação e tratamento. Muitos profissionais ainda oferecem opções caras sem respaldo científico consistente.

A diferença entre lipedema e obesidade é técnica: a gordura associada ao lipedema apresenta fibroses e nódulos específicos. Muitas pacientes já foram frustradas por não obter resultados com abordagens inadequadas.

Tratamentos conservadores combinam dieta, atividade física, terapia descompressiva, meias elásticas e drenagem linfática. Em casos graves, a lipoaspiração pode ser considerada após avaliação individual.

Segundo endocrinologista Bruno Halpern, há risco de procedimentos desnecessários. A orientação é evitar tratamentos invasivos sem indicativo clínico claro, priorizando opções com evidência.

Não existe protocolo universal para lipedema. O consenso da Aliança Mundial de Lipedema, com 71 especialistas de 19 países, reforça a heterogeneidade das evidências e a necessidade de avaliação personalizada.

Não há medicamento aprovado para o lipedema. O foco terapêutico atual é controlar o sobrepeso e reduzir fatores que agravam a condição, mantendo o tratamento alinhado às evidências disponíveis. Fonte: Estadão Conteúdo.

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