- Cientistas canadenses alimentaram psilocibina a peixes da espécie Kryptolebias marmoratus, conhecidos por serem agressivos, para observar mudanças de comportamento.
- Os peixes foram divididos em três grupos em laboratório: exposto à psilocibina, sob condições normais e um terceiro para medir a absorção da substância.
- Após vinte minutos de exposição, o grupo tratado ficou menos ativo, menos socialmente interessado e reduziu investidas agressivas, mantendo menor a movimentação perto dos rivais.
- A psilocibina parece reduzir conflitos intensos sem eliminar a socialização, o que pode ajudar a entender efeitos terapêuticos da droga em humanos.
- O estudo, publicado no Frontiers in Behavioral Neuroscience, reforça a necessidade de cautela e de mais pesquisas sobre efeitos a longo prazo, pois resultados em peixe não se traduzem diretamente para pessoas.
No estudo publicado nesta quarta-feira, cientistas canadenses administraram psilocibina a kryptolebias marmoratus, peixe extremamente territorial, para avaliar possíveis mudanças de comportamento. O objetivo foi observar se a substância reduz agressões sem eliminar interações sociais.
Os peixes foram divididos em três grupos em laboratório: um exposto à psilocibina, outro sob condição de controle e um terceiro para testar a absorção do composto. A configuração permitiu comparar efeitos entre indivíduos expostos e não expostos.
Na primeira fase, dois grupos sóbrios conviviam em tanques separados por malha, sem contato físico, para estabelecer uma linha de base de comportamento agressivo. A duração foi de quinze minutos.
No dia seguinte, o grupo exposto recebeu um “banho” de psilocibina por cerca de vinte minutos. Ao retornar aos tanques, os peixes mostraram queda na atividade e menor interesse social, além de exibirem menos investidas contra rivais.
Resultados indicaram redução de comportamentos agressivos energeticamente dispendiosos, mantendo parte da socialização de baixo gasto energético. A pesquisadora Dayna Forsyth destacou que o efeito parece seletivo, amenizando conflitos intensos sem suprimir a socialização por completo.
Especialistas ressaltam que o uso de K. marmoratus facilita a comparação genética, já que os indivíduos se autofecundam, gerando embriões idênticos. Assim, é possível atribuir mudanças de comportamento à psilocibina e não a variações genéticas.
A psilocibina atua sobre receptores de serotonina no cérebro. Em humanos, já é estudada por potencial terapêutico em depressão e TEPT, além de influenciar a conectividade entre regiões cerebrais. Pesquisas em animais têm mostrado efeitos similares em diferentes espécies.
Sobre as implicações, o estudo sugere que substâncias psicodélicas podem modular interações sociais sem suprimir inteiramente a socialização. No entanto, faltam dados sobre efeitos de longo prazo e possíveis consequências adversas.
Passos seguintes incluem avaliar durabilidade dos efeitos, explorar doses diferentes e ampliar a amostra, para confirmar a robustez dos resultados e reduzir incertezas sobre aplicabilidade humana.
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