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Perda de microbiota leva células intestinais a mudarem de função, aponta estudo

Redução da microbiota leva células do cólon a função dupla, reduz muco e aumenta absorção de nutrientes, sugerindo resposta adaptativa e maior vulnerabilidade em idosos

Representação artística mostra o intestino humano
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  • Estudo da Unicamp mostra que, com a redução da microbiota intestinal, o intestino grosso muda a função de certas células, afetando a produção de muco e a absorção de nutrientes, especialmente em indivíduos mais velhos.
  • Experimentos com camundongos expostos a antibióticos indicam que uma célula antes associada apenas à secreção de muco passa a ter função absortiva; esse total aumenta quando a microbiota é reduzida.
  • A abundância dessas células é regulada pela produção de butirato e pelo receptor GPR109A; mais butirato leva a menor quantidade dessas células.
  • Biópsias humanas e testes com animais livres de germes mostraram maior presença da população de células de função dupla no intestino grosso de pessoas idosas.
  • Os pesquisadores sugerem que essa resposta pode ser uma adaptação do epitélio intestinal à disbiose, com implicações para doenças inflamatórias intestinais e possíveis tratamentos.

A equipe da Unicamp, liderada por pesquisadores da universidade, avançou no entendimento da relação entre a microbiota intestinal e as células do intestino. O estudo foi publicado na revista Gut Microbes.

A pesquisa aponta que a microbiota, através de compostos como o butirato, influencia o funcionamento das células que revestem o intestino grosso. Essas células produzem muco e atuam na barreira intestinal.

Entre os achados, os cientistas identificaram uma célula anteriormente considerada apenas secretória de muco, que também absorve nutrientes. Sua presença aumenta quando a microbiota é reduzida.

A abundância dessa célula é regulada pela produção de butirato e pelo receptor GPR109A. Quanto mais butirato há, menor é o número dessa população celular no epitélio.

O trabalho mostra que, em condições de redução da microbiota, o intestino grosso passa a adotar características associadas à absorção de nutrientes, típico do intestino delgado.

Para chegar aos resultados, camundongos foram tratados por três dias com antibióticos, reduzindo a microbiota, enquanto outro grupo recebeu solução inóqua. Um terceiro conjunto era germ-free.

Além disso, animais livres de microrganismos receberam microbiota humana de jovens ou idosos, para avaliar efeitos conforme a idade do doador.

Os dados incluíram biópsias de intestino grosso de humanos jovens e idosos, permitindo comparar efeitos do envelhecimento na quantidade de células do epitélio.

A análise utilizou transcriptoma de célula única, permitindo observar as características de células como enterócitos e células caliciformes de forma individual.

Os resultados indicam que a população de células de dupla função é mais comum em idosos, especialmente no intestino grosso, e que sua resposta varia conforme a microbiota.

Os autores sugerem que a alteração da composição bacteriana pode desencadear uma resposta adaptativa para reforçar a barreira intestinal, abrindo caminho para novas linhas de pesquisa.

A discussão aponta que futuras experiências com deleção de genes dessas células poderão esclarecer seu papel na fisiologia intestinal e em doenças inflamatórias.

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