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Ratos revelam pistas para retardar o envelhecimento em humanos

Rato-toupeira-pelado revela mecanismos que retardam o envelhecimento, com senólise natural e reparo genômico aprimorado; pesquisas visam aplicar esses avanços em humanos

Um rato-toupeira-pelado é criado em laboratório na Universidade de Kumamoto, no Japão
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  • O rato-toupeira-pelado vive mais de 37 anos, cerca de dez vezes mais que roedores do mesmo tamanho, e desperta interesse por retardar o envelhecimento e evitar doenças degenerativas.
  • Pesquisas apontam que a senescência celular no roedor é regulada por INK4a e RB; a eliminação de células senescentes por senólise natural envolve serotonina nos fibroblastos e a ação da MAO, gerando peróxido de hidrogênio.
  • Estudos mostram que mutações em quatro aminoácidos da enzima cGAS mantêm a proteína ativa no núcleo após danos ao DNA, fortalecendo o reparo por recombinação homóloga (HR) e protegendo o genoma.
  • A transferência de um gene de longevidade de ratos-toupeira para camundongos proporcionou melhorias na saúde e aumento na expectativa de vida.
  • Pesquisadores da Universidade de Rochester identificaram que o has2, responsável pela síntese de ácido hialurônico de alto peso molecular, está presente em maior quantidade no roedor, e quando transferido para camundongos, reduziu inflamação e aumentou em cerca de 4,4% a vida média desses animais.

O rato-toupeira-pelado (Heterocephalus glaber) continua impressões na pesquisa da longevidade. Cientistas investigam seus mecanismos para possíveis aplicações humanas, visando retardar o envelhecimento e reduzir doenças degenerativas. Estudos recentes destacam senescência celular e reparo genômico como caminhos centrais.

Pesquisadores japoneses, liderados por Kyoko Miura da Universidade de Kumamoto, examinam a senescência celular nesse roedor. Em particular, o papel de INK4a e RB no bloqueio da proliferação celular pode explicar como o animal evita efeitos negativos da idade, ao contrário de humanos e camundongos.

A senólise natural emerge como ponto-chave: a eliminação de células envelhecidas ocorre por meio de uma via que envolve serotonina, MAO e danos oxidativos, contribuindo para a resistência à aging. O processo pode explicar, em parte, a saúde prolongada observada no roedor.

Em outra linha de pesquisa, uma equipe chinesa da Universidade de Tongji, em Xangai, analisou mutações da enzima cGAS que fortalecem o reparo do DNA por recombinação homóloga. Essas mutações permitem atuação nuclear da proteína, protegendo o genoma após danos.

Esse achado, publicado na Science em 2025, sugere que o cGAS pode ter papel benéfico no núcleo, ao contrário do que ocorre em outras espécies. O estudo envolveu mudanças em apenas quatro aminoácidos da proteína, influenciando sua função de reparo.

Pesquisadores da Universidade de Rochester, nos EUA, liderados por Vera Gorbunova e Andrei Seluanov, estenderam a investigação para o ácido hialurônico de alto peso molecular. O has2, gene responsável pela síntese de HMW-HA, está presente em maior quantidade no rato-toupeira-pelado e, quando transferido para camundongos, reduziu inflamação e elevou a expectativa de vida em cerca de 4,4%.

A equipe americana publicou os resultados da presença elevada de HMW-HA na Nature em 2023, apontando o potencial de transferir mecanismos de longevidade entre mamíferos. Com esse caminho, pesquisadores buscam moléculas que mantenham o ácido estável ou aumentem sua produção, visando benefícios à saúde humana.

Coautores do estudo em Rochester destacam que as descobertas ajudam a entender como a longevidade pode ser exportada para outras espécies. Atualmente, a linha de pesquisa avança para identificar alvos moleculares que retardem a degradação do ácido hialurônico e ampliar seus efeitos benéficos.

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