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Dentes de Homo erectus sugerem nova mistura entre ancestrais

Proteínas do esmalte de dentes de Homo erectus sugerem traços herdados por miscigenação, possivelmente dos denisovanos aos humanos atuais

Objeto pontiagudo de cor clara com manchas escuras, posicionado entre duas réguas para indicar tamanho. A régua maior mostra que o objeto mede cerca de 3 centímetros.
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  • Pesquisadores analisaram dentes de Homo erectus de três sítios arqueológicos chineses, com idade estimada em aproximadamente quatrocentos mil anos.
  • Foram usados métodos minimamente invasivos para extrair peptídeos do esmalte, a fim de investigar o DNA antigo e possíveis traços genéticos herdados.
  • Identificaram sequências de aminoácidos inéditos, designadas SAP, incluindo AMBN(A253G) na ameloblastina, presente em todos os seis indivíduos de Homo erectus analisados.
  • A variante AMBN(A253G) não ocorre em outros primatas, sugerindo uma característica genética exclusiva da espécie extinta.
  • Há evidências de que outra variante presente em Homo erectus também aparece em denisovanos e em alguns grupos humanos modernos, o que alimenta a hipótese de miscigenação ao longo da evolução humana, mas é preciso confirmar com novos estudos.

Moléculas do esmalte dos dentes de Homo erectus foram analisadas por uma equipe chinesa, liderada pela paleontóloga Qiaomei Fu. O estudo sugere que traços genéticos da espécie antiga podem ter chegado aos humanos modernos por meio de processos de miscigenação.

Os dentes analisados têm cerca de 400 mil anos. Eles foram coletados em três sítios da China: Zhoukoudian, Hexian e Sunjiadong. A pesquisa empregou técnicas minimamente invasivas para extrair peptídeos do esmalte e evitar contaminações modernas.

Os pesquisadores identificaram sequências de aminoácidos inéditos, chamadas SAP, presentes apenas no H. erectus. Em especial, uma variação associada à ameloblastina (AMBN(A253G)) não aparece em outros primatas, mas aparece nos seis H. erectus estudados.

Repercussões e contexto

A variante AMBN(A253G) sugere traços genéticos exclusivos da espécie extinta. Em paralelo, outra variante também aparece nos denisovanos, com presença em populações atuais de filipinos, indianos e papuanos, entre 20% e 1%.

A hipótese levantada é que os denisovanos teriam herdado essa característica de H. erectus por meio de miscigenação e, posteriormente, transmitido aos Homo sapiens via contato entre espécies. O estudo aponta que o genoma denisovano pode carregar trechos de DNA super-arcaicos.

Os resultados, ainda parciais, fortalecem a ideia de que a mistura entre espécies ocorreu com maior frequência ao longo da evolução humana. A confirmação depende de pesquisas adicionais e da reinterpretação de dados fósseis e genéticos.

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