- O Projeto Nheengatu Digital, da USP em parceria com a IBM Research e comunidades tradicionais, busca revitalizar idiomas indígenas por meio da inteligência artificial, destacando o Nheengatu e os desafios técnicos e éticos envolvidos.
- A série aborda como avaliar a qualidade das traduções com métricas que incluem julgamento humano, além de enfrentar o problema das “alucinações” da IA, envolvendo as comunidades no desenvolvimento das ferramentas.
- Discute-se a ideia de dados culturalmente tóxicos, a propriedade dos dados e a autonomia das comunidades, com foco em infraestrutura digital local e uso de código aberto, mantendo os dados sob controle comunitário.
- A soberania digital é apresentada como eixo central, visando autossuficiência tecnológica das comunidades para criar e manter suas próprias ferramentas de IA.
- Os planos incluem expansão para novas etnias a partir de 2026 no Alto Rio Negro, com continuidade do software em código aberto para que outros povos construam soluções próprias.
O Projeto Nheengatu Digital reúne a USP, a IBM Research e comunidades tradicionais com o objetivo de revitalizar idiomas indígenas por meio da inteligência artificial. A iniciativa aborda desafios técnicos e éticos na tradução do Nheengatu e evita reproduzir visões coloniais.
O coordenador do projeto, Claudio Pinhanez, destaca a necessidade de métricas que considerem o julgamento humano e não apenas critérios estatísticos. Também aborda as chamadas alucinações da IA, em que sistemas geram respostas plausíveis porém incorretas.
As comunidades indígenas participam ativamente do desenvolvimento das ferramentas, com foco na proteção de dados e na propriedade coletiva de conteúdos culturais. A ideia é reduzir a dependência de tecnologias externas e fortalecer a soberania digital local.
Soberania digital e código aberto
Pinhanez ressalta que o Nheengatu Digital busca autossuficiência tecnológica, permitindo que comunidades mantenham e desenvolvam suas próprias ferramentas de IA. O software continua em código aberto, mas os dados ficam sob controle das comunidades.
A iniciativa planeja expandir para novas etnias a partir de 2026, incluindo povos do Alto Rio Negro, no Amazonas. A estratégia envolve manter a infraestrutura local e o treinamento remoto para viabilizar a participação sem depender de grandes escritórios externos.
Dados, memória e futuro
O projeto enfatiza a proteção de dados: comunidades como Kaingang podem criar tradutores com ferramentas abertas, mantendo os dados sob gestão local. O objetivo é a preservação da língua como patrimônio comunitário e o benefício coletivo.
Pinhanez defende modelos de IA brasileiros que entendam nuances culturais. Ele lembra que o português brasileiro já incorpora palavras de línguas originárias, o que reforça a necessidade de dados representativos para o desenvolvimento tecnológico nacional.
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