- Lentes de contato com eletrodos emitiram sinais elétricos na retina e foram usadas em camundongos deprimidos por 30 minutos diários, durante três semanas.
- Os animais apresentaram melhora comportamental, recuperação da conectividade entre hipocampo e córtex pré-frontal e redução de marcadores inflamatórios.
- Em comparação aos animais deprimidos não tratados, houve queda de 48% na corticosterona e aumento de 47% na serotonina.
- Os resultados foram semelhantes aos observados com fluoxetina, medicamento antidepressivo amplamente utilizado.
- Trata-se do primeiro uso de lentes de contato inteligentes para tratamento de transtorno cerebral; ainda serão feitos testes clínicos em humanos, além de desenvolver versão sem fio, avaliar em animais maiores e personalizar estímulos.
Cientistas da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul, desenvolveram lentes de contato que emitem sinais elétricos suaves pela retina para tratar depressão em camundongos. O estudo, publicado em 14 de maio na Cell Reports Physical Science, compara os efeitos do dispositivo aos da fluoxetina. As evidências vêm de testes com depressão induzida nos animais.
As lentes são transparentes, flexíveis e trazem eletrodos que geram interferência temporal. Os sinais atravessam a retina e estimulam áreas cerebrais associadas ao humor. A proposta é usar o olho como via de entrada para modular circuits ligados ao estado emocional.
Alcance do estudo
A pesquisa avaliou quatro grupos de camundongos: controle, deprimidos sem tratamento, deprimidos com interferência temporal e deprimidos com fluoxetina. Os animais passaram por três semanas de tratamento diário de 30 minutos.
Resultados observados
Os resultados mostraram melhora comportamental e restauração de conectividade entre o hipocampo e o córtex pré-frontal. Houve redução de moléculas inflamatórias no cérebro e queda de 48% na corticosterona no sangue, além de aumento de 47% na serotonina, em comparação aos deprimidos não tratados.
Desempenho e confirmação
Um modelo de aprendizado de máquina agrupou os camundongos de tratamento com as lentes junto aos não deprimidos, corroborando as medições comportamentais e biológicas. Os achados indicam parallelismo entre efeito terapêutico e fluoxetina.
Próximos passos
Os autores destacam que as lentes precisam de mais testes clínicos em humanos. Planeja-se desenvolver versão sem fio, testar segurança em animais maiores e personalizar estímulos para cada usuário antes de avanços clínicos.
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