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Molécula cerebral revela chave para entender a coceira crônica

Molécula TRPV4 nos neurônios sensoriais atua como freio da coceira; sua ausência prolonga episódios e ajuda a entender a coceira crônica

Estudo explica por que algumas coceiras não param. (Foto: Getty Images via Canva)
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  • Cientistas identificaram a molécula TRPV4 como chave para entender a coceira crônica, presente no sistema nervoso.
  • TRPV4 atua como canal iônico em neurônios sensoriais, participando tanto da coceira quanto do mecanismo de feedback que avisa quando parar.
  • Em camundongos sem TRPV4 apenas nos neurônios sensoriais, houve menos episódios de coceira, mas cada um durou mais e o controle do ato de coçar falhou.
  • A falha no “freio natural” pode explicar quadros de coceira persistente em condições como dermatite atópica, psoríase e coceira associada a doenças sistêmicas.
  • A descoberta abre caminhos para tratamentos que restaurem o equilíbrio do sistema nervoso, ao invés de apenas bloquear o estímulo da coceira, apresentada na 70ª Reunião Anual da Sociedade de Biofísica.

Uma descoberta científica aponta o papel central de uma molécula no sistema nervoso para entender a coceira crônica. Pesquisadores liderados por Roberta Gualdani, da Universidade de Louvain, em Bruxelas, identificaram a molécula TRPV4 como elemento-chave na resposta à coceira induzida por estímulos físicos.

A pesquisa revela que o TRPV4 atua como canal iônico em neurônios sensoriais, participando do início da percepção da coceira e, ao mesmo tempo, integrando um mecanismo de feedback que informa o cérebro quando o estímulo já foi aliviado. Esse equilíbrio ajuda a regular o ato de coçar.

Em camundongos sem o gene TRPV4 apenas nos neurônios sensoriais, observaram-se menos episódios de coceira, porém cada episódio durou mais tempo, com o comportamento de coçar menos controlado. Os resultados sugerem falha no sinal de interrupção do ciclo, não apenas na percepção da irritação.

Sem a atuação adequada do TRPV4, o cérebro não recebe o aviso de satisfação, mantendo o ciclo de coceira ativo por mais tempo. O estudo associa a falha a doenças como dermatite atópica, psoríase e coceira crônica ligada a condições sistêmicas.

Implicações e próximos passos

  • O achado mostra a atuação dupla do TRPV4: na pele, início da coceira; nos neurônios, controle do fim do comportamento.
  • A pesquisa abre caminhos para tratamentos que restaurem o equilíbrio do sistema nervoso, preservando o feedback natural de encerramento da coceira.
  • O estudo foi apresentado na 70ª Reunião Anual da Sociedade de Biofísica, destacando a importância de considerar o sinal de término junto ao estímulo.

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