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Novo cálculo pode aposentar o IMC como medida de saúde

OBSCORE avalia risco individual da obesidade além do IMC, orientando tratamentos eficientes e a alocação de recursos em saúde pública

Por que duas pessoas com o mesmo IMC podem ter um estado de saúde tão diferente? Ferramenta auxilia a entender (Jeff J Mitchell/Getty Images)
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  • Pesquisadores apresentaram o OBSCORE, um escore de obesidade que vai além do IMC para estimar risco e vulnerabilidade a complicações associadas à obesidade.
  • O estudo acompanhou quase 200 mil indivíduos com IMC igual ou superior a 27 kg/m² por cerca de dez anos.
  • O OBSCORE utiliza múltiplas variáveis clínicas e laboratoriais — como idade, sexo, relação cintura-altura, hemoglobina glicada, colesterol, creatinina, pressão arterial, tabagismo — para medir o risco.
  • A conclusão é que a obesidade não é uma condição única: pessoas com mesmo IMC podem ter riscos bem diferentes conforme o perfil metabólico e cardiovascular.
  • A pesquisa sugere que, no âmbito da saúde pública, ferramentas como o OBSCORE podem orientar prioridades de tratamento e uso de terapias antiobesidade, ajudando a identificar quem mais se beneficiaria de medicamentos potentes.

Pelo menos até hoje, a obesidade era avaliada principalmente pelo IMC, uma medida simples e barata. O novo estudo questiona essa visão ao mostrar que o peso por si só não explica os riscos.

Duas pessoas com o mesmo IMC acima de 30 podem ter trajetórias de saúde muito diferentes. Um caso pode evoluir para diabetes, hipertensão e doença cardíaca antes dos 50, enquanto o outro permanece metabolicamente estável.

O estudo, liderado por pesquisadores do Queen Mary’s Hospital, em Londres, foi publicado na Nature Medicine. A pesquisa acompanhou quase 200 mil indivíduos com IMC ≥ 27 kg/m² por cerca de 10 anos.

OBSCORE: o escore de obesidade

O OBSCORE amplia a avaliação ao combinar dados clínicos e laboratoriais acessíveis. Entre as variáveis estão idade, sexo, relação cintura-altura, hemoglobina glicada e colesterol, além de marcadores como creatinina e ácido úrico.

Outras medidas incluem pressão arterial, tabagismo e marcadores metabólicos e cardiovasculares. Em alguns casos, é necessário exame de sangue para a composição do perfil do paciente.

Implicações práticas

A ferramenta busca identificar quem apresenta maior vulnerabilidade às complicações da obesidade. O benefício potencial surge especialmente com terapias antiobesidade mais recentes, ainda com disponibilidade limitada.

Medicamentos como Ozempic e Mounjaro já mudaram o cenário terapêutico ao promover perdas de peso e melhora metabólica significativas, com redução de risco cardiovascular em muitos pacientes.

A limitação de recursos torna essencial priorizar tratamentos. O OBSCORE pode orientar decisões públicas, ajudando a direcionar medicamentos mais potentes para quem mais ganha com eles.

Esses resultados indicam que, no futuro, o tratamento pode depender menos do IMC isoladamente e mais do risco clínico real do indivíduo, orientando uma medicina mais personalizada.

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