- Pesquisadores apresentaram o OBSCORE, um escore de obesidade que vai além do IMC para estimar risco e vulnerabilidade a complicações associadas à obesidade.
- O estudo acompanhou quase 200 mil indivíduos com IMC igual ou superior a 27 kg/m² por cerca de dez anos.
- O OBSCORE utiliza múltiplas variáveis clínicas e laboratoriais — como idade, sexo, relação cintura-altura, hemoglobina glicada, colesterol, creatinina, pressão arterial, tabagismo — para medir o risco.
- A conclusão é que a obesidade não é uma condição única: pessoas com mesmo IMC podem ter riscos bem diferentes conforme o perfil metabólico e cardiovascular.
- A pesquisa sugere que, no âmbito da saúde pública, ferramentas como o OBSCORE podem orientar prioridades de tratamento e uso de terapias antiobesidade, ajudando a identificar quem mais se beneficiaria de medicamentos potentes.
Pelo menos até hoje, a obesidade era avaliada principalmente pelo IMC, uma medida simples e barata. O novo estudo questiona essa visão ao mostrar que o peso por si só não explica os riscos.
Duas pessoas com o mesmo IMC acima de 30 podem ter trajetórias de saúde muito diferentes. Um caso pode evoluir para diabetes, hipertensão e doença cardíaca antes dos 50, enquanto o outro permanece metabolicamente estável.
O estudo, liderado por pesquisadores do Queen Mary’s Hospital, em Londres, foi publicado na Nature Medicine. A pesquisa acompanhou quase 200 mil indivíduos com IMC ≥ 27 kg/m² por cerca de 10 anos.
OBSCORE: o escore de obesidade
O OBSCORE amplia a avaliação ao combinar dados clínicos e laboratoriais acessíveis. Entre as variáveis estão idade, sexo, relação cintura-altura, hemoglobina glicada e colesterol, além de marcadores como creatinina e ácido úrico.
Outras medidas incluem pressão arterial, tabagismo e marcadores metabólicos e cardiovasculares. Em alguns casos, é necessário exame de sangue para a composição do perfil do paciente.
Implicações práticas
A ferramenta busca identificar quem apresenta maior vulnerabilidade às complicações da obesidade. O benefício potencial surge especialmente com terapias antiobesidade mais recentes, ainda com disponibilidade limitada.
Medicamentos como Ozempic e Mounjaro já mudaram o cenário terapêutico ao promover perdas de peso e melhora metabólica significativas, com redução de risco cardiovascular em muitos pacientes.
A limitação de recursos torna essencial priorizar tratamentos. O OBSCORE pode orientar decisões públicas, ajudando a direcionar medicamentos mais potentes para quem mais ganha com eles.
Esses resultados indicam que, no futuro, o tratamento pode depender menos do IMC isoladamente e mais do risco clínico real do indivíduo, orientando uma medicina mais personalizada.
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